TUITAÇÕES

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Reflexões ultra-sintéticas formuladas para veiculação através do tuíter @IgorBuys

O CASO DE LUÍZA BRUNET E O PATRIARCADO

1 - Por que é importante comentar esse caso envolvendo a Luíza Brunet? De que forma vai além de uma fofoca ou de uma matéria de página policial?

2 - Ora, porque tem uma dimensão política; não é? Por isso eu repercuti a matéria aqui, abaixo, e você também. Mas que dimensão política é essa?

 

3 - O agressor está associado à Globo, de certo modo, a Temer e é um praticante da cultura do estupro e do golpe: da compra e violação do corpo.

 

4 - Mas esses dados do problema são acidentais. A essência da questão não são essas pessoas e suas opções, senão um modelo cafajeste de relação.

 

5 - A relação patriarcal, por si só, já é perversa o suficiente; já é a “célula mater”, ou melhor, “pater” do patriarcado mesmo e da exploração.

 

6 - Sem a família patriarcal, comprada pelo liberalismo, seria difícil se transmitir a acumulação do capital: o sistema ruiria em duas gerações.

 

7 - Por que a poligamia, e.g., é crime dentro do vale-tudo “laico” liberal? Porque tumultua a transmissão da acumulação de capital a herdeiros.

 

8 - Dinheiro, bens e relações amorosas, sexuais não têm qualquer nexo natural, e não deviam ter nexo legal. Comunhão de bens é uma idéia abjeta.

 

9 - É sinistro termos de optar pela separarão total de bens para nos casarmos. Ou, em termos mercantis: firmarmos a “sociedade conjugal”.

 

10 - A relação patriarcal e a família que esta produz já são suficientemente sinistras sem que as pessoas inda a pervertam em modelos cafajestes.

 

11 - O modelo da mulher objeto, profissional da beleza, que se casa com o empresário mais velho é uma degeneração cafajeste do modelo patriarcal.

 

12 - Aqueles que adotam a fórmula em questão são indivíduos profundamente cafajestes; logo, não é surpresa quando disso decorre (mais) violência.

 

13 - De saída, já são violentas a compra e a venda do corpo, sua violação e redução a objeto de consumo. O restante são agravantes previsíveis.

 

14 - Pessoas de padrão financeiro diferente que resolvem se relacionar deviam viver, cada qual, em sua própria casa, com os seus bens e recursos.

 

15 - O pensamento de Sartre obsolesceu; mas o modelo de relação que teve com Simone, — seu exemplo, se mostrou um legado mais longevo e sadio.

16 - Adotar modelos doentios de relação e esperar resultados sadios é absurdo. Quem planta patriarcado, colhe patriarcado. Cafajestagem, idem.

 

17 - Não sei, nesta data, como Luíza Brunet teve quatro costelas quebradas; se foi empurrada de uma escada, atingida com um objeto, ou a golpes.

18 - Mas, em qualquer caso, me soa inverossímil que a agressão física que produziu tal efeito tenha sido a primeira dentro dessa relação clichê.

19 - Sinto dizer que, tanto ele como ela, são agentes e pacientes de uma “cultura” ou ideologia doentia e cafajeste. Retornamos ao mal sistêmico.

20 - Vejo muitas mulheres que adotam o modelo patriarcal de relação e família, nessas horas, erguerem vozes contra o patriarcado, ou o machismo.

21 - Muitas já sofreram uma agressão física no curso de relação desse tipo, não a cafajeste, mas a patriarcal típica, e nem sequer reportaram.

22 - Outras inverteram o patriarcado, se tornaram as... “ricardonas”, os machões provedores e infiéis dentro desse mesmo modelo, sem contestá-lo.

23 - Estas são as que se unem a homens de padrão material inferior, — submissos, têm casos extraconjugais e exibem um verniz de moral patriarcal.

24 - Ora, que verdade tem o feminismo na boca de quem adota e propaga a célula pater do patriarcado? Criando filhos dentro dela? Jogando o buquê?

25 - Dar presentes caros a homens, mulheres que não possam comprá-los é cafajeste. Aceitá-los, idem. Ligar amor, sexo a união de bens é crítico.

26 - E são esses modelos e atitudes, enfim, que têm de ser objeto de exame, diante de um caso policial entre celebridades como o de Luíza Brunet.

27 - Eis o momento de pugnar contra o patriarcado em si e sua unidade básica, não apenas clamar por punições, lamentar efeitos e olvidar causas.

 

28 - Quais as propostas e os exemplos pessoais alternativos para o modelo do pai rei, da mãe rainha, dos filhos príncipes, guardados por Deus?

 

29 - É isso que não vejo e lamento. Não tanto as costelas quebradas de alguém que ajuda a perpetuar a cultura da violação, alheia e de si mesma.

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Julho 2016