TUITAÇÕES

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Reflexões ultra-sintéticas formuladas para veiculação através do tuíter @IgorBuys

CIRO GOMES VÊ AO ESPELHO: A LAVA A JATO

1 - Acabo de assistir à entrevista do Ciro Gomes; ontem, não pude. Um jornalista que me seguiu, durante muito tempo, publicou e chegou até aqui.

 

2 -Aliás, sobre o jornalista, acabei seguindo-o de volta e depois desisti, porque já tinha sido “Charlie” e ainda foi Obama e “Stones” em Cuba.

 

3 - Respeito Ciro, primeiro: porque ele é homem; “an ancient race”, como se diz num filme de caubóis antigo. E isso tem um peso e valor a saber.

 

4 - O ser homem não pode ser “desinventado”, conquanto sendo invenção, sim, porque, de roldão, levaria o ser mulher e toda discussão de gêneros.

 

5 - Os gêneros são todos inventados, fictos. Existem e têm valor de modo interdependente. O valor do ser homem está no obrigar-se a ser honrado.

 

6 - Honra é um ideal antigo; o ser homem, idem. Tem raízes num mundo pré-capitalista e, por isso, resiste à lógica e às tentações do capital.

7 – Ciro Gomes, ademais, entende a economia, a política e a história do Brasil. Esses são seus dotes, além do senso de humor e carisma pessoal

8 - É um grande quadro, mas sua candidatura presidencial não seria viável. A não ser para acumular capital político para ser um ministro forte.

 

9 - Oposto de Cunha, que exibe um transtorno de personalidade narcísico e se droga para exacerbar sua frieza, Ciro busca estimular sua agitação.

 

10 - Sua superlucidez turva nele a lucidez. E o torna em um buraco negro capaz de tragar tudo do entorno, como a Lava a Jato, em que se espelha.

 

11 - A Lava a Jato, como tem sido conduzida, destruiria o tecido institucional de qualquer país, não sendo admitida pela classe política lúcida.

 

12 - A superlucidez de Ciro é o seu calcanhar de Aquiles e, numa campanha presidencial, lhe seria fatal: ele duraria menos que a bolha de Marina.

 

13 - Mas é sempre bom ouvi-lo falar: é uma esperança de renovação dentro da perspectiva dum novo pacto para o País, livre de alianças promíscuas.

O PIOR PESADELO DO BURGUÊS E O SONHO DO LIBERAL E DA PEQUENA BURGUESIA 

1 - O pior pesadelo do burguês é ser visto como burguês e o grande sonho do liberal e da pequena burguesia é serem vistos como burguesia.

2 - Começo pela primeira premissa: o pior pesadelo do burguês é ser visto como burguês, e não como aristocracia: como gente de estirpe e raiz.

3 - Onde flagrar o desejo dos burgueses de serem como as pessoas oriundas da casa grande e do regime senhorial? A vestimenta é ótimo exemplo.

4 - Os burgueses, liberais e pequenos burgueses acham, todos, que devem usar ternos, apesar de nem ser um traje ideal para o nosso clima.

 

5 - Eis um desses momentos em que o trágico e cômico se vêem amalgamados num todo infrangível, que produz do riso de boca de estômago à ânsia.

6 - Tenho visto essa gente, amiúde, a usar, e.g., ternos cinza e de tom claro — no meio da noite! Isso é como uma ambulância entrando numa sala!

7 - Sentam-se e deixam ver meias — pretas a contrastarem com os tais ternos cinzas... Outra ambulância que nos joga para trás na cadeira.

8 - Sentam-se e não desabotoam os paletós; levantam-se e os não abotoam. Usam ternos azuis, que são muito nobres, com sapatos marrons — claros.

9 - Esse último, pelo menos, já ouviu o galo cantar, só não sabe onde: obviamente, com o terno azul se usa sapato marrom escuro e de cadarço.

10 - O sapato social sem cadarço, ou mocassim social, é para o Jorge Clooney usar (caríssimos), sem gravata, com o paletó e a camisa abertos.

11 - Brincar com o terno preto — nome completo desse traje —, pondo, e.g., camisetas e sapatênis, ao sabor da moda, é para quem sabe e pode.

12 - I.e., é para quem sabe usar um terno, conhece os protocolos mínimos da vestimenta masculina, e, ainda, curte moda, como o Beckham.

13- É chocante o modo como os burgueses se vestem, e, pior ainda, os seus simulacros, os liberais (burgueses de espírito) e pequenos burgueses.

14 - Os primeiros vivem de macaquear a aristocracia e os últimos, de macaquear os primeiros, nos impondo um ambiente de caricaturas medonhas.

15 - Nem menciono o modo liberal de falar e escrever: tudo rapidinho, praticuzinho, cheio de pontos, — fácil de entender: fast food, descartável.

 

16 - O modo como se fala e escreve é espelho fiel de como se pensa — ou, no caso em questão, “pensa”. E, aí, a latitude da decadência é imensa...

17 - Nem vou mencionar, também, o tirar férias em Miami, em Orlando, de mão dada com o Mickey Mouse; ver cinema de roliúdi, ler Estevão King.

18 - Voltando à vestimenta e aos ternos: compre um Armani, se puder, senão, um clone bem feito. Leve a um ateliê e mande fazer os SEUS clones.

19 - Personalize com as suas iniciais e algo mais. E aprenda a usar um terno. Assim, você humilha essa gente e, ainda, corrói o próprio sistema.

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Jun / Ago 2016