SAUDADE

Saudade é dor que faz sorrir E rir como topada no joelho.

Depois que deixei de te ver, Passei a ver-te mais e melhor.

Tenho aprendido ao silêncio De tuas formas uma cadência: Nova valsa de gelo e sombra.

Minha mão executa misteres Que o coração não percebe. Me pego esculpindo em papel... Um barco, mais um; um chapéu.

Pingos do mar que te abraça Riscam a vidraça sobre o trovão. Trepidação. Tiquetaque de volta.

Jogo buraco com o meu rival, Mas ele sabe tudo d’eu-mesmo.

Saudade é uma rosa amarela. É uma jarra improvisada. Anel. Fronha de ferro. Sonho sozinho.

Igor Buys In "Versos Íncubos"

Reprodução: Van Gogh; "[Vaso com doze] Girassóis"

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