A OBRA MAIOR DE PAULO COELHO

Eu tenho um amigo de infância sobre quem sempre digo se tratar de uma espécie de "Aníbal Lecter" do mundo real. Se bem que não seja uma pessoa propensa a ser má, em hipótese alguma. Ainda que também não infensa à possibilidade de o ser, se julgar imprescindível em relação aos fins maiores. E, sobre a compreensão do que sejam os fins maiores, não divergimos muito, um do outro: o bem-estar das pessoas amadas, dos compatriotas, dos amigos e aliados da pátria em qualquer parte, a honra familiar e, enfim, a pessoal. Por que incluir nesse rol a honra, uma noção que soa antiquada, senão reacionária? Porque a honra ganha esse aspecto de bem menor, embora preservado pela lei, e de valor embolorado com a ascensão (paulatina) da burguesia e do regime do capital, o qual sub-roga a síntese que havia entre o Regime da Força, com raízes na Antigüidade, e o Regime da Misericórdia, antítese proposta pelo cristianismo ao império da força bruta. O mesmo se diga da idéia de pátria, que soa romântica, e, portanto, embebida ainda nos ares do século XIX, quando menos.

 

Mas, voltando ao meu amigo, ele não é, por si mesmo, um formador de opinião relevante. Até porque, sendo algo antissocial e tendente a se isolar, teria dificuldades especiais nesse campo. Entretanto, de alguma forma, que nunca compreendi muito bem, ele consegue se fazer interessante aos olhos de um grupo, que calculo relativamente amplo, de pessoas as mais relevantes socialmente, chegando a, por assim dizer, magnetizar algumas destas, de modo a que prestem certa atenção a tudo o que pensa e propõe. A quem chegue a ler cada vírgula do que ele escreve em redes sociais, há anos a fio, de forma realmente obsecada, sem nunca ser lido por ele de volta: um fato que pude comprovar, privando consigo e outros tantos observam também, a meia distância.

 

Bem, entre as pessoas em questão, atentas ao meu amigo, e, em alguma medida, necessariamente, influenciadas por ele, quer quando o rejeitem e se oponham ao que diz — um dizer que é sempre instrumental, estratégico, vale salientar —, quer quando o acompanhem; entre tais pessoas há, inclusive, megaformadores de opinião.

 

Assim, ainda que não sendo capaz de modificar o ambiente social diretamente, mantendo-se anônimo, ele consegue, através de terceiros, tenho constatado, interferir no mundo em que vive para muito além do que seria razoável esperar sem conhecê-lo tão a fundo como o conheço.

 

E é por isso que o digo uma espécie de "Lecter": se eu tivesse esse tipo de característica — que, infelizmente, em mim é de todo faltosa —, daqui mesmo, desta cadeira, com os pés sobre a mesa, poderia comer... ora, um pedacinho que fosse do fígado de um homem tão poderoso e internacionalmente conhecido como o senador Cristovam Buarque, a quem já designei “o Don Altobello' do golpe”, fazendo alusão a outro personagem do cinema comercial. E eu, confesso, bem que gostaria de uma tal degustação, neste momento que atravessamos no País.

 

 

Não sou como esse meu amigo, com certeza, mas, sem querer me gabar, há momentos em que chego a ter a impressão de que o que escrevo e divulgo possa atingir pessoas para bem além do meu círculo formal de contatos.

 

Um desses momentos foi quando recebi a visita e interpelação, através do tuíter, do ilustre Paulo Coelho, fato que descrevo em postal anterior deste blogue.

 

Nunca — como dizem os tuiteiros — citei o “arroba” do escritor, a não ser quando dei resposta ao seu mais que inesperado pedido. E, até esta data, ainda não visitei o seu blogue, deslize que pretendo corrigir o mais rápido possível, agora que me veio à mente essa autocrítica... Mas já tenho tido a satisfação de poder repercutir publicações suas na Rede Internacional de Computadores em que denuncia o golpe de Estado em curso no Brasil.

 

Coelho é uma pessoa imensamente influente, cujo interesse pela manutenção da ordem democrática no País é mais que bem-vindo por todos, é claro.

 

Destarte, agora, quando o vejo demonstrar essa dimensão de si, independente de qualquer comprometimento político-partidário e, portanto, inteiramente generosa; agora é quando me sinto  honrado em relação àquele episódio, já antigo, da sua interpelação. E não tenho receio de depositar expectativas na militância patriótica do Mago: Coelho pode ter papel significativo na reversão desse quadro que está posto, colaborando para salvaguardar o País de ser reduzido a uma republiqueta de bananas para, depois de tantas conquistas sociais obtidas, trilhar um caminho que, sem dúvida, o reinscreveria, em pouco tempo, no triste mapa da fome.

 

Isto significa colaborar para evitar muita, muita dor e desgraça. Sobretudo, para as nossas crianças e minorias sociológicas, como as mulheres brasileiras, que já sofrem, todas juntas e irmanadas, os efeitos terríveis do recrudescimento da cultura do estupro e do golpe, catalisada pela brutalidade sexista evidente em todo esse processo de que é vítima a Presidenta Dilma Rousseff.

 

É certo que, se há uma esfera misteriosa e benigna na arquitetura da vida, uma intervenção do naipe da que se descreveu não poderá deixar de merecer um galardão especial. E, como obra humana, talvez venha a ser a mais importante do Mago, enfim: a que irá avalizar, historicamente, todas as demais no âmbito daquilo que, salvo engano, ele realmente deseja nessa altura dos seus dias: ser lembrado como uma pessoa sábia e capaz de doação, e não apenas como o herói liberal que soube ganhar muito dinheiro para se acastelar no exterior e rogar pragas contra a Pátria.

 

 

Igor Buys

29 de maio de 2016

 

 

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