Sobre o texto A DAMA DO LOTAÇÃO

Nós, poetas, sempre temos algumas musas e, entre estas, uma que costuma ser alguém mais importante que as outras para nós. Na Era da Informação, nada mais natural do que termos musas que só conhecemos à distância, pelo menos, durante uma fase.

Eu, com certeza, tenho as minhas musas e, entre estas, aquela que tem sido mais especial. De sorte que, para publicar novamente essa poesia, A DAMA DO LOTAÇÃO, de linguagem forte e visada radiográfica do ser humano e suas complexidades mais inquietantes, tenho que fazer uma pausa drástica no encadeamento de alguns textos.

Obviamente, não se trata de um texto colhido, por meio de inteligência empática, a nenhuma musa ou pessoa do meu agrado, mas a alguém que já não vejo há anos e que, francamente, gostaria de não ter conhecido.

Mas de tudo se faz literatura e a Dama do Lotação me rendeu essa poesia singular, que tem como eu lírico uma mulher, algo deveras incomum no meu processo, ou nos meus processos. Tal particularidade da construção acentua a absorção de um psiquismo conturbado através do transporte empático, i.e., da viagem no tempo e no espaço da identidade do poeta para assumir a posição histórico-temporal de alguém que se transforma, a partir daí, em personagem.

Do texto se pode desentranhar toda uma peça teatral que encontra fulcro numa personalidade marcadamente rodriguiana.

Como experiência de vida, foi pesado e desnecessário travar contato com tal pessoa, mas, não obstante, veio a compensação através da arte, e a arte é tudo o que nos redime e glorifica, sobretudo, quando se não tem um post mortem nos céus para onde migrar de camisola e asas brancas. A eternidade da arte e do artista através desta justifica tudo na vida.

Igor Buys

Ilha Grande, 10 de julho de 2020

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