MUI-PRESENTE

Sou naturalmente notável o bastante para que todos aqueles a quem eu mesmo noto e são notórios entre as gentes atentem, cuidadosamente, para toda minha palavra e a reverberem, ora me ratificando, ora, como previsto, me negando três vezes; ao mesmo passo, sou anônimo o suficiente para não ser reconhecido pelos que cruzam comigo nas esquinas, casas noturnas, suspeitas, e centros lojistas; os do primeiro grupo nunca, jamais pronunciam meu nome…; de modo que os do segundo grupo não me perturbem, me citando em vão. Sim: eu sou infando! invisível e mui-presente! E, ao assistir ao drama destes dias, como que de uma frisa nebulosa no cume de um teatro trágico, sei exercer influência misteriosa sobre a vida e os fatos do meu tempo. Ora, se tal condição não tivera lá o seu elã, convenhamos: Jeová não a tivera reservado (também) para Si.

 

Igor Buys

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