Preciso ir ao continente hoje. Sinta a minha falta.

Preciso ir ao continente hoje. O que significa encarar esse mar da Baía de Angra dos Reis (ou Baía da Ilha Grande) em dia de céu bastante encoberto, malgrado o intenso mormaço.

Viajar de flexboat com chuva é uma experiência que dispenso sempre que posso.

O flex mais comum na Ilha é tão grande como um micro-ônibus, tem acento para umas trinta pessoas. Mas continua sendo um bote inflável com uma carenagem de metal ou fibra e dois ou três grandes motores de lancha na parte traseira que o faz praticamente voar por sobre as águas.

Chegamos ao Cais de Santa Luzia, em Angra, atualmente, em trinta e cinco minutos; mas os barcos poderiam fazer o percurso em muito menos tempo se os motores estivessem ajustados para tanto. Contudo, não valeria a pena, com certeza. Teríamos uma viagem excessivamente excitante e salobra. Já basta o tanto de água do mar que se recebe no rosto, nos cabelos. As mulheres cobrem as cabeças com lenços que as faz parecerem, olhando do fundo da embarcação, um grupo de islâmicas, recurvadas numa mesquita em oração. Eu não dispenso envolver no pescoço uma canga -- esses grandes lenços de estampas coloridas que servem para tudo por aqui, inclusive, e originariamente, guardar o corpo da areia quente, quando se toma banho de sol nas praias.

Os flex são seguros; nunca tivemos um acidente com nenhum deles.

Ainda assim, se chover, talvez decida pernoitar por hoje num hotel na Angra continental.

Praia dos Macacos; foto @jotabarrosig para Ilha Grande Lanchas

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