ESCREVENDO COM SANGUE COMO QUISERA NIETZSCHE

Ficou dramática essa minha poesia de hoje! constato agora, ao relê-la. 

 

Na verdade, tudo que tenho postado, mesmo em conversa particular, nos últimos dias, já tinha percebido, anda deveras dramático.

 

É que na quinta-feira comecei a usar uma química mais forte para entrar em forma na alta temporada e deixei de beber todos os dias à noite: agora, nesta fase, esbórnia só aos sábados. E, mesmo no sábado, migrei do chope artesanal da minha dieta viking dos últimos dois anos para o uísque dos velhos tempos, só que com Red Bull misturado, uma dose sim, uma dose não. Três latas de Red Bull, umas seis doses de uísque -- que eu não sei se conto em dobro, porque costumam pôr dois dosadores para mim por cortesia e cobrar uma dose só -- e um único canecão de 500 ml de chope artesanal escuro, degustado gole a gole, foram a minha folga de sábado da nova dieta.

 

A dieta em si é muito pouco restritiva, mas a química, está visto e é pacífico: altera o comportamento. É bom tomar certos cuidados.

 

Eu já sou latino-americano, se ainda for exacerbar alquimicamente a condimentação das minhas letras ninguém agüenta...

 

Ou agüenta?

 

Será que durante uns quinze dias por ano, leitores muito especiais meus vão preferir me ver mais... vulnerável, as a kitten up a tree, do que poderosamente incandescente como o Kīlauea em sua própria ilha paradisíaca?

 

Bem, eu não nego nem castro, não disfarço nem controlo a rédeas e acicates quaisquer dos meus momentos autorais e emocionais. Que exploda tudo isso e jorre para fora como tiver de vir! Pois se esse é o meu mister, ora. Fazer das próprias entranhas e holocaustos íntimos matéria-prima poética. E escrever com sangue, como preceituava Nietzsche! 

 

Esse foi o caminho que escolhi para vencer a morte, a finitude, já que não tenho um reino de harpistas, serafins e Soberano monarquista entronizado para onde migrar de camisola quando o tempo e o mundo se fecharem com a minha consciência e as minhas vistas.

 

É preciso, então, que eu saiba sobreviver na letra. E a letra que mais persevera e reverbera nos homens para além do silenciar do artista é aquela que se escreve com sangue, não errou o pensador alemão ao prescrevê-lo como rota de êxito para futuros escritores, como ele próprio, por natureza -- já que opção é mentira -- intempestivos.

 

 

Igor Buys

Ilha Grande, 04 de fevereiro de 2020

 

 

 

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