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DERRAMAMENTO

Abre pra mim essa tua boca que tem o gosto dos lábios da noite e da lua; essa tua boca que busquei entre os âmbares do amanhecer, essa boca cobiçada como uma coisa..., esperada como um oásis fresco e redentor. A tua boca: ai, como arde a expressão dessas palavras! A tua boca... Cala-te agora. E abre pra mim essa tua boca. Deixa a minha febre penetrar os teus lábios, rompendo espaço entre a tua língua e o Céu da tua boca. Sente as minhas mãos nos teus cabelos, amarrando-os num coque, controlando-te. Olha nos meus olhos; nota a convulsão crescendo em mim... Sem pausa e sem pressa, suga com essa rosa rubra a minha essência de beija-flor. Isso! doa pra mim a tua boca... Deus: a tua boca... Doa, sim; bebe, morde, bem de leve; beija com carinho a minha alma aí desnuda na carne viva de prazeres que pungem como dores. Sente jorrar a minha lava: sou como um vulcão de amar essa tua boca e derramar as sementes de mil olhares, vozes, almas e sorrisos dentro do teu peito morno, (ninho) úmido... (útero) acolhedor. Igor Buys 23 de março de 2009

In Versos Íncubos, 2014

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