LUAU

Eu sou o que chama de sereia na praia, amore. Você me entendeu errado, desde o começo. Só que não faço isso com aquela cara de profissional. Faço com o coração na mão, tímido... Apaixonado. Nesses termos, eu dou até a praia. 

 

"A gente sempre se casava ao luar" - Ivan Lins

 

 

 

 

Luau só de nós dois.

Areia esverdeada sob a lua que sorri por trás dum leque.

Tochas altas, feitas de fogo,

feitas de mar e cristal a se expandirem em cones.

 

Esse teu sorriso que inibe o crescente.

Esses teus olhos de águas calmas, transparentes.

 

Flores à volta da tua testa.

O teu lindo vestido de noiva, furtado à tua própria coleção.

O meu terno outrora sério; lenço de seda, pés descalços

sobrepostos, envolvidos no teus pés, nas tuas pernas.

Testa com testa, sussurros, risos. Confissões genuinamente

noivas e eternas. Lanterna azul, lanterna violeta.

Comida japonesa no isopor. Mãos sobrepostas.

 

O espinho da rosa; polegares comprimindo-se.

Beijos apaixonados. Olhares infinitos.

 

A dança que estilhaça o manto d’água quase sem vagas,

erguendo gotas azuis e violáceas, gotas de fogo e de mar.

 

Tombo involuntário, ou quase, sobre a piscina natural.

Rochas escuras, cúmplices, adornadas de triângulos champanhe.

 

O amor provando que não sabe os limites do tempo, do espaço

e nada, e voa, exorbita as leis da física e abarca a eternidade

entre braços, entre coxas, cabelos, algas; dedos firmemente

entrelaçados em meio a cometas, madrepérolas, anjos e sereias.

 

 

Igor Buys

Ilha Grande, 07 de março de 2019

 

 

 

 Kristiana Pelse 

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