ESCULTORA E ESCULTURA

O teu corpo será a minha religião.
Pretendo religar-me ao planeta primordial e caótico.

 

Ai, a minha chama te afogando, transbordando
pelo canto dessa tua boca e pupilas;
ai, a minha seiva te inundando, intumescendo
a veia esverdeada que salta no teu pescoço.

 

E depois de tudo, inda lavar-me por inteiro
nos teus cabelos infinitos, infinitos
como as ondas da cachoeira de sombra e luar.

 

Passearemos pela cidade à noite. O Cristo,
o Bonde, a Lagoa de fios de cobre e chama negra
quero que te vejam e reverberem teu sorriso.

 

Dividiremos alguns sonhos rotos, remendados
e olvidaremos juntos os pesadelos do mundo.

 

Modelos são como escultoras, são como esculturas.
São atrizes por um instante de intensa captação
da luz: um clique, uma eternidade pulsando imota.

 

Assim seja também o nosso tempo: fiquemos apenas,
fiquemos absorvendo o fluxo sem resistir a ele,
apenas Asas unas, apenas Vôo, Amor, Vitral e Alvorada...

 

 

Igor Buys
In Versos Íncubos
 

 

 

Júlia Horta

 

 

Tags: Marcelo Freixo

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