A SÓSIA

Encontrei a tua sósia.
Ela parecia mais alta.
Ela parecia mais loura.
Mas ainda era a tua sósia.

 

Encontrei a tua boca,
os teus olhos encontrei

e as tuas mãos de nata, deleite.


Eu tinha uísque nas veias
e o mundo se movia líquido.

 

Os barcos negrejantes sobre poças de luz, -- fria.
A Enseada soprando nos olhos como faziam as mães.

 

Areia noturna champanhe, riscos verdes, vermelhos sobre as águas adormecidas.
Não há uma garrafa plástica, uma tampinha, um palito por toda essa orla
ou essas ruas antigas. E, se houvera, um barqueiro, um passante
de pronto o cataria, poria no lixo.

 

Tua sósia transpira na mão que não largo,
enlaço apertado e não largo
sem olhar o seu rosto.

 

Não há cobras, raramente um rato se vê
aqui na baixada. Em seu lugar, os guaiamuns,
os urubus.

 

Tua sósia conhece um sorriso que esqueceste.
Seus olhos querem fazer amor.
Que seja.

 

 

Igor Buys
Ilha Grande, 28 de outubro de 2019

 

 

 

Bárbara Schons Boller

 

 

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