PIÑA COLADA

Eu vou querer aquela piña colada com uma dose dupla de vodca, por favor.

 

Não se tem hotelaria de cinco estrelas na Ilha Grande.

Não se tem hotéis, tão-só pousadas aconchegantes

a que apenas se chega, por vezes, passando por trilhas mata adentro.

 

E algumas das trilhas que cortam a Ilha inteira são tão antigas que se supõe terem sido abertas pelos índios...

 

Tudo aqui respira o rústico, o idílico.

 

Para vir à Ilha com um pouco mais de sofisticação,

aos que não a dispensam, há os navios de cruzeiro.

 

Estes atracam na entrada da Enseada do Abraão,

um cruzeiro por dia em alguns períodos, a derramar sobre Ipaum Guaçu

gente de todas as línguas e culturas, franceses, alemãs, holandeses, japoneses,

argentinos, ianques.

 

Outro drinque, por favor.

Dose dupla de vodca?

Sim, como sempre. Obrigado.

 

Aqui, um poeta com um afeto distante, alguém há muito esperada,

com ou sem esperança, decerto iria para à beira do cais, meditar...

 

E esse poeta, esse tal poeta, em aqui vivendo,

e se não furtando a esperar com ternura,

de ali estar por longas horas sob a luz dourada dos verões,

numa noite limpa de luar azulado, estou certo, 

a teria visto: à sua Musa, caminhando sobre a madeira molhada do cais,

com saltos qual punhais brasinos, os pés

a pisarem para dentro, como os de um felino, os quadris

indo e vindo ao sabor desse jogo (hipnótico...). O poeta. É claro,

estancaria. E ela continuaria vindo, e vindo, o olhar forte,

já não mais uma miragem, senão: um Anjo! é concreto...

até atravessá-lo: suave labareda.

 

Na manhã seguinte, o cais inda estaria riscado, aqui e ali, estranhamente crestado...

E o poeta inda traria nos olhos duas gotas acesas de âmbar.

 

 

Igor Buys

Ilha Grande, 27-01-2018

 

 

Alessandra Ambrósio

 

 

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