DA PROFISSÃO DA BAILARINA

O mister da bailarina é fazer dos pés duas asas: sincrônicas, exatas: apolíneas. E, se na construção dessa forma atemporal, infinita estiver contida uma paixão, um sangramento entre unhas torturadas, o mais dionisíaco dos transes extáticos, o alívio orgástico diante dos aplausos, tudo isso tem de ser invisível: na cena, móvel e estática, medida no tempo compassado e transbordante deste por analogia à Idéia, eterna e etérea, do Belo, só pode aflorar a precisão das Asas e seu vôo... Não importa haja um Ícaro morto por trás das cortinas.

 

Igor Buys

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