BAILARINA - 3a. versão

E se eu te sentasse sobre esse parapeito

roliço atrás de ti, o abismo da escada em espiral

(infinita abaixo) convidando o teu instinto

a me envolver com pernas e braços,

a me olhar dentro dos olhos, abrir a boca

para então perder o fôlego a língua a palavra o tino

na espiral concêntrica do meu beijo. Do meu beijo

apaixonado giratório vertiginoso.

 

Eu te quero.

Eu te amo.

 

Dá a tua mão. Onde foi que vimos, neste

mesmo andar, uma porta de duas folhas?

 

Ah, lá estava: o vão de porta ogival.

 

Tuas costas contra o umbral de verniz.

Baixo juntas de supetão até o chão

tua falsa mini-saia em veludo molhado e tua

lingerie.

Beijo a tua púbis. Minhas pálpebras, teus pêlos.

Meus dedos te procurando por trás.

 

Tua bota de vermelho verniz, maçã do amor

pisando o verniz do arco do oposto lado.

Minha mão por baixo da tua coxa, tua panturrilha

sobre meu bíceps. Meu órgão penetrando

a tua carne; minha carne pulsando na tua alma

nua caleidoscópica, e mais adentro, ai, mais adentro.

Trago tua perna para sobre o meu peito e ombro.

 

Minha seiva, meu magma a inundar o mais fundo

e sagrado de ti para retornar enlouquecido

na luz dos teus olhos... a me purificar: chama verde absurda,

-- absurda! me diluindo, apaziguando junto aos delfins

anequins saíras algas gaivotas tulipas e pérolas,

entes do céu, ar

e do mar.

 

 

Igor Buys

Ilha Grande, 06 de agosto de 2018

 

 

Bailarina; Wallhere papéis de parede

 

 

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