A BATALHA

Quando já se perdeu cem duelos, o que importa perder cento e um?
E a quem já venceu novecentas vezes, quanto vale vencer a milésima?...

Amar é uma batalha sangrenta onde pouco se ganha e tudo se perde.

E, se somos lançados a esta inda impúberes, o manto platinado do siso irá cobrir nossos
                                         [gládios a trincarem, gemerem, arderem sob o alarde dos mesmos clarins!

Amar é uma batalha sem fim.

Cedo ou tarde, fenece tudo o que se ganha; tudo o que se mata, de algum modo, renasce.

Quando se olha atrás: há um oceano de sangue corpos cortes; vozes vidro veias...; cartas       [chamas cinzas... fumaça... carros, elmos lacerados, inúteis armaduras...

Amar é uma batalha titânica onde as forças que se batem são deveras a alma do Sol e a da
                                         [Lua; o Céu de vôo e a Terra imota: terremoto.
Impossível saber quem sobrepuja e quem soçobra, quem finca o estandarte e quem os
                                         [joelhos dobra.

E tudo o que nos resta é sermos leais e honrados, é guardarmos humildade e clemência,
     [pois, finalmente, todo tipo de soldado raso que já houve sabe o valor de tais insígnias.


Igor Buys
13 de setembro de 2010

 

 

Reprodução: Escultura (grega) de Héracles envergando o couro do leão invulnerável

 

 

 

 

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