CISNE

Senta sobre a minha pélvis,

põe os pés no meu rosto.

Pisa sobre a minha testa

e a minha boca de dentes,

língua, sede. Senta, te ajeita;

usa as minhas pernas como

encosto; joga os teus cabelos

para trás. Senta-te, meneia,

me ajeita a mim bem dentro

do teu calor. Pisa sem peso

a minha língua com o cal-

canhar, o creme, as dobras

da tua pele de leite, com o

peito, a faca, o arco do pé.

 

Pernas que aliso e guardam

um frescor misterioso alheio

ao ambiente, à noite quente.

 

Deita sobre mim e me ama,

indo e vindo, e me doando

o teu ritmo, os teus seios

saltitantes, os teus cabelos

que agarro e beijo, e bebo.

Ama-me com força suave,

esse teu bailar de cisne;

ai, tanto leite! tanta Mãe

e Filha! tanto amor. Estrela

gigante acima!…, queimadura,

clarão cego. Surda escuridão.

 

 

Igor Buys

09 de abril de 2019

 

 

Reprodução: Cisne; bodypainting

 

 

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