NESTA RUA...

Postes pretos. Pingos dependurados nos fios. Noite gris ao fundo. Som de um carro que arqueja ao longe. Formas fundidas, cores derretidas. Poças de espelho e ácido, fogo branco a dissolver automóveis imóveis. Poças de tinta fervente adiante e outros carros queimando frios.

O salto do sapato me estala sobre o chão de pedras losângicas. Cigarro com gosto de água; chama exausta à beira de escurecer. Preto e cinza sobre cinza e prata, sobre cinza e preto, azul e roxo. E alguma chama vermelha, algum detalhe amarelo em qualquer parte. Atravesso

a rua, dobro
a esquina escura. E ei-la que logo avisto: Lua quadrada a se debruçar no céu de granito emparedado, derramando de si a su’alma feminina, fulgente. Ai, momento esperado e lento; ai, licoroso, amavioso vento a jorrar de tão longe. Aceno de dentro do breu. Ela responde afogada em vermeil. Ternura eterna; sorriso meu entre vapores. Gesticulo imprecisões coberto de estrelas. E, súbito, alguém a -- chama: se derrete a platina e o cobre candentes de seus cabelos... Janela vazia. Janela negra.

Cigarro apagado.

Até amanhã...


Igor Buys
Juventude -- 16 de outubro de 2010

Poesia do Jovem Igor Buys revisada na maturidade

 

 

Gaby Magalhães

 

 

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