OS DA SARJETA E O RISO

O riso é a mais simplória máscara da dor.

 

Quem anda pelo Rio à noite, e pelo Centro da Cidade, sobretudo, não tem como deixar de ver aqueles grupos de pessoas do baixo meretrício, prostitutas, travestis, às gargalhadas, rindo pelos cotovelos. E, quiçá, seja isso o que faz com que se diga que tais pessoas têm "vida fácil"...

 

Eis um comportamento universal. Em qualquer metrópole se verá exatamente o mesmo. Os da sarjeta têm essa relação com o riso permanente em toda parte, pois é o escudo mais banal e disponível para a sua condição.

 

O riso, em geral, é simiesco e triste.

 

Todo aquele que se declara alegre todos os dias, na Rede, nas rodas, repete esse mesmo exato comportamento. E faz isso de forma tão óbvia que a visão da sua dor e tristeza se exacerbam terrivelmente.

 

A máscara do palhaço traz sempre uma lágrima negra estampada e a correr para o abismo.

 

 

Igor Buys

11 de abril de 2019

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