CÂMARA LENTA

Em câmara lenta, senta, deita. Dança. Volta. Faz de novo. Descalça, bêbada, louca. Ou apenas lenta. Minha tão reservadamente minha. A meia de trama larga copia noite vazada de leite, de lua. Um vento de água pesada bebe [polvo dourado, azul] os seus cabelos de alga macia. Pele, manteiga dos olhos. Carícia sobre a tela, fria. No horizonte: um ônibus-incendiado- -morte-sirena-corte-giroflex-vermelho- -azul... Ou é talvez apenas o raiar do Rio. Entanto minha noite privada, ar condicionado, preserva as mesmas sombras da madrugada. Aqui é sexta impunemente. Aqui, danças ainda — algemada — sem perigos minha, entre anêmonas, marinha, alheia a toda pressa. Igor Buys 26 de novembro de 2010

Kristiana Pelse

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