BAILARINA - 2a. versão [atualizada]

E se eu te sentasse sobre esse parapeito

roliço atrás de ti, o abismo da escada em espiral

(infinita abaixo) convidando o teu instinto

a me envolver com as pernas e braços,

a me olhar dentro dos olhos, abrir a boca,

perder o fôlego a língua a palavra o senso

na espiral do meu beijo. Do meu beijo

apaixonado giratório vertiginoso.

 

Eu te quero.

Eu te amo.

 

Onde foi que vimos, neste mesmo andar,

uma porta de duas folhas? Dá a tua mão.

 

Lá estava: o vão de porta ogival.

 

Tuas costas contra o umbral de verniz.

Baixo juntas tua calça boca de sino e tua lingerie 

até o chão. Tira, amor, um pé e agora o outro

de dentro do laço de pano. Beijo a tua púbis.

Meus dedos te procuram por trás.

 

Tua bota tratorada de salto longo e reto

pisando o verniz do arco do oposto lado.

Minha mão por baixo da tua coxa, tua panturrilha

sobre meu bíceps. Meu órgão penetrando

a tua carne, minha carne pulsando na tua alma

nua caleidoscópica e mais adentro, ai, mais adentro.

 

Trago tua perna para sobre o meu peito e ombro.

 

Minha seiva, meu magma a inundar o mais fundo

e sagrado de ti para retornar enlouquecido

na luz dos teus olhos... a me purificar: chama verde absurda,

-- absurda! me diluindo, apaziguando junto aos delfins

anequins saíras algas gaivotas tulipas e pérolas,

entes do céu, ar

e do mar.

 

 

Igor Buys

Ilha Grande, 06 de agosto de 2018

 

 

 

 

 

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