O AMOR É AMIGO

O amor não sente ciúme.
Não necessita de se concretizar
para além da amizade terna.
O amor não perde oportunidades,
não claudica, não hesita.
Sabe querer e sabe aceitar
o que a vida nos dá; reflete o sorriso,
bebe a lágrima, segura o pulso.
Abraça como irmão, abraça
como esposo, ainda que o esposar
dure apenas uma noite, uma quinzena.
Nada pede, mas tudo oferece;
não é inconstante, não muda,
não envelhece, não se envaidece.
Não insiste, não desiste:
está sempre feliz, está sempre
contente. O amor é calmo, sereno;
a paixão, o desejo, em havendo,
não o modificam ou subvertem.
O amor transcende a razão,
porém é sempre razoável.
Não age de modo inconveniente;
não mente, não limita, não impede
outros amores paralelos, aventuras.
Não desanima nem é desanimado.
O amor não prescreve com o tempo,
não se reveste de preconceitos;
não depende de religiões, ciências:
é maior que a fé e a esperança.
O amor é amigo.
Passarão os céus, a terra, o papiro,
os poemas; mas o amor amado,

sutil ou vulcânico, momentâneo,

longevo ou em futuro pretérito:

o amor, esse cristal, jamais se calará.

Quem ama abraça a eternidade.


Igor Buys
03 de julho de 2009.

Do e-livro "A Deusa e o Vampiro".

 

 

Rafaella Kalimann

 

 

 

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