É PRECISO BEIJAR A TUA PÚBIS...

É preciso, a despeito da impropriedade da hora, a despeito da vizinha com olhos de bolas gude; é preciso abraçar o teu quadril, o teu ventre.

Abrir porteira, tirar carro, prender cão que ecoa em cão além, e já noutro quarteirão. É preciso enfrentar as alamedas ermas, ver os galhos negros contra o fundo plúmbeo do ilimitado; é preciso não atropelar o gato catatônico, — que risca; e ir ao teu encontro, ou não: ir à busca do teu ventre, sim! da tua púbis de louça lunar! Ai, é de mister beijá-la!

Obsessão ou carência: só sorvê-lo até o fim! Tua vizinha e seus olhos fugidos dum filme de Ingmar Bergman — que me acusem! Meu medo de precisar de ti sem mais controle do descontrole e da precisão — que me solape! É imprescindível, o quanto antes, e desde já — a caminho, sob as asas do Sonho que me iça, enormes acima... — beijar da tua púbis a pele vagamente fluorescente, vaporosa, gaivota desenhada contra a noite nua; ai...

Cobiça, delícia; sem acanho e sem pena de incomodar ou de mostrar qualquer suor e fraqueza a rorejar a testa que atesta febres; sem explicação a dar-te além da sede mesma, sem álibi nenhum a mais que o amar-te assim: com a quinta marcha passada e a boca seca; é preciso mergulhar no teu abraço e beijo, no teu calor e seios: é preciso. É urgente. É preciso beijar tua púbis...

Igor Buys 07 de dezembro de 2012

In Versos Íncubos

Kristiana Pelse

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