TRÍADES (DENSIDADE E SUTILEZA V E VI)

DENSIDADE E SUTILEZA – QUINTO PASSO

Se você simplesmente olhar para algo, a fim de vê-lo, isso é possível em virtude do fato de que fótons de luz ricocheteiam no objeto, o que introduz alguma mudança

— Isaak Asimov

1 - A Mecânica Quântica já chegou bem perto de afirmar que partículas subatômicas só passam a ter grandeza no espaço-tempo depois de mensuradas.

 

2 - Está-se a falar do Princípio da Incerteza de Heisenberg, que o escritor Isaak Asimov ajuda a entender, em termos simples.

3 - Isso fica claro pela via indutivo-experimental em relação a partículas subatômicas, ínfimas, porque o grau de interferência dos sistemas de medição sobre estas não tem como ser desprezível.

4 - Porém, tal é exato o que Kant ensina no dito “Fragmento de Leningrado”: nada tem grandeza no espaço, senão em referência a um eu sito AQUI.

5 - Dois corpos só estão em movimento um relação ao outro com o auxílio de um — terceiro oposto: um observador, que funde essa mesma relação.

 

6 - A tríade — corpo A, corpo B, observador, tanto ratifica, como resolve as questões dicotômicas de Zenão de Eléia: seus "paradoxos quânticos".

 

7 - Tempo e espaço são princípios puros da razão. E tem, cada qual, natureza triádica: presente, passado, futuro; largura, altura, comprimento.

 

8 - Elementos estruturais do cosmos, estão, ainda, claramente imbricados: só há movimento no tempo e tempo afora da imobilidade lapidificada.

 

9 - Bem, as tríades com que laboramos até aqui adquirem maior densidade, quando lhes acrescentamos: o Quarto Oposto necessário: o Interpretante.

 

10 - Ou Observador. Este faz das nossas tríades monoplanares objetos sólidos: tetraedros. Os quais são formados de quatro triângulos equiláteros.

 

11 - Os átomos tetraédricos do tempo e do espaço se conectam por meio de um Vértice Imoto: sito — para aquém do tempo, do espaço e do movimento.

 

12 - Esse Vértice Imoto comum aos dois tetraedros é, obviamente, o Eu profundo, subjacente no AQUI. Todo átomo de Prometeu é, pois: tetraédrico.

 

13 - Quanto às díades caóticas, fui percebendo que não há um terceiro oposto e por quê. A matriz desses átomos ferozes é o binômio: eu — não-eu.

 

14 - Consoante Piaget, a criança pré-operatória — ou pré-cósmica — entende que o cão esteja a ladrar, porque ela, criança, sente falta da mãe.

 

15 - O mundo de tal criança me traz o de Heidegger: as coisas não tem um em-si; não são objetos, porque não há ainda um sujeito: um eu-coletivo.

 

16 - Tudo está imbricado no binômio eu—mundo, de sorte que o eu e o mundo formam uma díade caótica, se fundem, se confundem; são dois e um mesmo.

 

17 - Em nós, depois de formada a dimensão coletiva, nacional as díades ainda se revolvem nessa febre e incandescência: eu-quente versus eu-frio.

 

18 - Eu-claro — eu-escuro. Eu-amor e eu-ódio. O terceiro oposto não existe, porque está elíptico: confundido, ora a um oposto dual, ora ao outro.

 

19 - Outros ramos da ciência indutivo-experimental propõem que o cérebro, essa fascinante ficção, tenha camadas: mais modernas e mais primitivas.

 

20 - De volta aos Átomos de Prometeu, e, sobretudo, ao esquema geométrico do espaço-tempo, este se afigurará vagamente similar a uma — borboleta.

 

21 - Porém, suas faces pulsáteis, em número total de — oito, podem ser poetizadas de modo que tornem sua forma análoga à do símbolo de: infinito.

 

22 - Os dois tetraedros que iconizam o espaço-tempo nos aparecem, agora, gotiformes, como uma ampulheta tombada, a vibrarem num — supermovimento.

 

23 - O supermovimento, essa pulsação das tríades, cujos vértices opostos são um e são três, são três e são um, é, pois: a matriz do movimento.

24 - Eis um conceito a ser equacionado, mas, desde já, poeticamente forte: de que o movimento é a pulsação do tempo na pulsação do espaço.

 

25 - Cada tetraedro possui seis arestas: número do humano. Os dois sólidos em exame juntos têm doze arestas: número dos Olímpicos, dos Apóstolos.

 

26 - Número da Igreja, que representa o Corpo místico do Cristo na Terra. O três, óbvio, é o número do divino; da Trindade, que é Uma e são Três.

 

27 - Na Mitologia, o Destino, divindade máxima, acima de Zeus e demais Olímpicos, é um e as Moiras, sua única representação humanal, são três.

28 - Por fim, o quatro, número de triângulos presentes em cada tetraedro, é emblema de razão, equilíbrio e remete ao arcano IV e ao — Tetragrama.

 

29 - Tais números são estruturais em relação ao real; seus simbolismos históricos se confirmando, confirmam de volta a estruturalidade do modelo.

 

 

DENSIDADE E SUTILEZA - SEXTO PASSO

1 - Há muitos dados curiosos a serem salientados em relação a tetraedros. O que mais contribui para a averiguação de sua densidade é o seguinte.

 

2 - O poliedro dual de um tetraedro é outro tetraedro, ad infinitum. I.e., o tetraedro é um: fractal sólido. E, na teoria de Koestler: um holón.

 

3 - No seio do átomo tetraédrico das cores primárias, acha-se facilmente, como seu dual, o das secundárias; e, inscrito neste, o das terciárias.

 

4 - No átomo temporal, os tempos verbais do modo indicativo, presente, pretérito perfeito e futuro do presente, têm por duais os três demais.

 

5 - Considera oposto ao pretérito perfeito e ao futuro do presente: o futuro do pretérito; oposto ao pretérito perfeito e ao presente: o pretérito imperfeito; e oposto ao presente e ao futuro do presente, o pretérito mais-que-perfeito.

 

6 - A oposição hexagonal dos tempos verbais do modo indicativo não é lógica, ou gramatical, mas, deveras, semântica, como avaliam os gramáticos.

 

7 - As oposições triangulares, que acabamos de fazer juntos, tu e eu, são as que, com efeito, exprimem a forma como a razão os dispõe no cosmos.

 

8 - Outra tríade evidentemente muito estrutural em relação à linguagem, e ao cosmos, é a silogística — primeira e segunda premissas e conclusão.

 

9 - Na teoria básica da redação, temos — introdução, desenvolvimento e conclusão. Na dialética, da História, inclusive: tese, antítese, síntese.

 

10 - Começo, meio, fim. Primeira, segunda, terceira idade. Manhã, tarde, noite. Corpo, alma, espírito. Emocional, mental, físico. Assim pensamos.

 

11 - Mas as estações do ano são quatro. Nos trópicos, quente e fria. Pensamo-las através de oposições diádicas: inverno-verão e outono-primavera?

 

12 - Diria que a mente cede à tendência de opô-las assim, em pares de contrários, e às remanescentes, as usa como terceiro oposto, estabilizador.

 

13 - Ao menos, a mente vigorosa e bem formada, genética e culturalmente. Ou lingüisticamente. Oposições quadrangulares ou maiores são — flácidas.

 

14 - Construi com sarrafos e pregos objetos de quatro ou mais lados e todos poderão ser deformados, facilmente. Já um triangular, não se deforma.

 

15 - Edifícios teóricos, psíquicos ou morais construídos a partir de tijolos flácidos tendem a encontrar, de modo precoce, o seu Götterdãmmerung.

 

 

Igor Buys

2016

 

 

 

 

 

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