O ANTIPATRIOTA ESTÁ MORTO; QUANTO A NÓS O QUE TEMOS SÃO O REAL, O IDEAL E A RAZÃO

É fato que o pessimismo progride em morbidade; que alguns, quando o condão de fazer graça histriônica já lhes falta, até se matam para atrair atenções horrorizadas; atenções que as regiões ensombradas da mente continuam crendo que importarão em ajuda, em consolo e solução para as petições derramadas. A lógica da autocomiseração se perdera, há muito, então. Restara o apensamento das próprias feridas com o cuspo mesmo que os cães abandonados sabem destilar sobre seus males. E, ora, como poderia esse quadro-limite deixar de acompanhar-se da morbidade extrema do — antipatriotismo desumanizador? Este que exclui seu portador do — ser humano, insulando-o em relação ao eu coletivo que, de regra, nos habita, [...], para garantir-nos o cariz da humanidade, fazendo-nos insertos numa nação, como se inserem nas suas sociedades as abelhas do céu, as formigas do solo, sim, as formigas: seres mais símplices, porém parelhos do humano neste ponto. O homem isolado da sociedade, conclui Jellinek: é uma ficção; e o antipatriota já cometeu seu vero suicídio: metafísico e mais fundo que o empírico.

 

O que temos em mãos é a realidade. É o real que deriva o ideal, a imagem, a quase não coisa. Habitamos, enfim, em tal plano: do sonho concretizado, da idealidade aberta em cristal no seio da determinação causal. Pisamos com ambos os pés o cosmos da consubstanciação das três potências: a externa, a coisa em si; a interna, o corpo causal; e a coletiva, esta última congruente com: a linguagem. Eis o que somos e do que devemos nos munir: do realismo, da noção de causalidade e conseqüente busca dos porquês que suportam todos os fatos; da capacidade de idealizar o porvir, de edificar utopias, de crê-las e compartilhá-las, poeticamente, cimentando o sonho com o sonho ratificado e mesmo de outrem, até ver plasmar-se na razão e, por fim, nos corpos a substância física da mudança! Toda negatividade, i.e., toda antítese dialética surgida como Esfinge contra tal edifício deve ser redargüida, combatida e vencida! até restar a positividade tética do que se pretende. Neste momento, teremos já triunfado cabalmente sobre as dificuldades.



Igor Buys
28 de agosto de 2012

 

 

Portinari; o Mestiço

 

 

 

 

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