FUI

Não entendi
nem quero,
apenas: fui.

Fui ver o mar e a aurora,
fui pisar gravetos e amoras;
catar a flor que adorne
os cabelos de mel da morena:

mel negro que se incendeia
como petróleo ao toque do azul.

Fui.
Fui por aí, ou melhor:
por — lá! contornando os espin-
heiros, à busca do simples
e bom.

Fui sozinho, mas irmanado
a todos os libertários:
a todos os que têm sede
de apenas ser e sorrir.

Fui
por onde foi a formiga,
o cão que não é de briga,
a pipa dum menino altívolo.

Fui sem pedir licença,
sem perdão pedir,
sem levar tostão:
fui aonde as pernas pudessem
e a raiva e a posse
jamais me achassem.


Igor Buys
23 de agosto de 2013

 

 

 Mariana Malz

 

 

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