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E eis que as mulheres da nossa vida,
a ex-esposa, a própria mãe, 
as amigas e ex-amigas,
estão agora amalgamadas:
não é fácil saber onde com-
-eça uma, onde termina a outra;
o que se disse a tal, 
o que se ouviu de qual, 
e quem foi que deu de presente 
aquele anel, aquela camisa... 
Aquele beijo, aquela
flor de carne. Aquele rancor 
foi por qual delas? A Amada...


A Amada agora é um acervo uno
e cindido, -- qual Eco e Narciso,
dúbios duplos, múltiplos e reunidos
na mesma ensimesmada sina.

Há um destemor de tudo: da morte,
da solidão, da doença – esta que
talvez por isso nunca me visite.

Plange um pacto solene com a liberdade:
liberdade sem limitações. Nada mais de chefes, 
chefetes, horários a cumprir. Vida apenas
fluindo, confluindo ou não, 
tempo redescoberto, 
dia e noite apenas.

Coisas: o livro publicado, 
o livro autografado; 
a máquina de escrever, os cachimbos;
o retrato da bailarina do ventre, 
o da repartição partida, 
o do colégio.
E no imo das coisas 
uma Presença que não é deus,
nem é potência pura, intangível...
é algo mais afim do tato, do gosto 
e de um silenciar que não segreda.


Igor Buys
12 de março de 2009

 

 

Reprodução: Narciso e Eco, de Waterhouse

 

 

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