DO QUE (SÚBITO) MEXE

Diz se é verdade ou falácia

que vivo já dentro de ti,

no teu âmago, bebendo,

compartilhando teu tempo

de ser, tua luz de ver,

teu calor de sentir.

 

Diz se é verdade ou falácia.

Que cresce como um feto

o afeto que nutrimos --

secreto, feito de silêncio

e lua -- mas capaz de (mexer)

revolver-se, súbito..., à luz do dia.

 

Se estou dentro de ti;

se te penetro fundo, e pulso,

pulso; se te possuo, -- à tua

atenção, à tua presença, ao teu

agora --, na mais desnuda

hora, no arrepio: nos sons do sol-pôr.

 

Diz, amor. Mas diz sem dizer

aos surdos e absurdos;

aos que não dançam

por não poderem ouvir a música.

Diz, só de ti contigo:

se é verdade ou falácia

-- o nosso amor.

 

 

Igor Buys

16 de maio de 2017

 

 

Reprodução: "Os Amantes", de Magritte

 

 

Tags: Marcelo Freixo

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