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O GRANDE ESFORÇO BURGUÊS COMO CONDENAÇÃO DA SUPERDOTAÇÃO E ELOGIO DA MEDIOCRIDADE

Uma das criaturas mais deploráveis que se desprendem da mente coletiva burguesa, essa grande ratazana sem pêlos, que não é capaz de criar, mas pode deglutir, processar e expelir, neste sentido "produzindo"; um dos anátemas mais pavorosos e revoltantes que a ideologia liberal, nos termos postos, "produz", e através de que, furiosamente, se reproduz a si mesma e se mantém viva é a lei do -- grande esforço burguês.

Soluciona tu um problema com o mínimo de esforço, fazendo uso puro, simples e direto de inteligência privilegiada, de criatividade excepcional, i.e., de atributos -- naturais, oriundos do corpo e, com este, da hereditariedade, para não falar em genética, o que nos induziria a discutir a noção de um corpo e uma genética profundos; faça isso e o teu feito, o teu trabalho não será facilmente valorizado neste ambiente moral a que chamamos: o Império da Mediocridade. Ao mesmo passo, quem obtenha uma parcela que seja, um rudimento, um tosco arremedo dos teus resultados mediante grande esforço, e, possivelmente, plágio, este, sim: será exaltado e preferido a ti, sobretudo, durante a juventude, tantas vezes quantas necessárias, de forma a castrar, violentamente, esses teus referidos atributos, que evocam -- superioridade fisiológica, até que, se possível, passes a ter vergonha deles e os entendas como morbidades.

O burguês, em termos histórico-naturais, é, precisamente: o medíocre esforçado (ou oportunista). Provaremos isso cabalmente noutro texto.

Assim, toda genialidade, toda forma de superdotação, toda vocação excepcional e avassaladora, bem como os produtos destas, serão menosprezados, senão inquisitorialmente punidos.

Os filmes que tratam o tema da superdotação no cinema de roliúdi, desde os anos... setenta, pelo menos, têm uma tônica: a superdotação é sempre tratada como -- doença.

Nos anos setenta, foi reprisado pela televisão goebbeliana aparelhada pelo colonialismo trilhões de vezes, em horário destinado à infância e à juventude, a história de um menino negro superdotado, que padecia de uma série de problemas em função desta sua... condição; problemas esses que, ao cabo, se resolvem, quando tudo é tratado como doença a ser contornada.

O superdotado é um agressor perigoso da ordem social liberal; ele não pratica o grande esforço burguês, não estuda, não trabalha como uma mula ensebada; não possui um ânus de ferro, como se dizia, antigamente; e, não obstante, logra êxitos, digamos, -- subversivos em relação aos "normais", ou, deveras: aos medíocres esforçados (ou oportunistas), de que esse sistema precisa tanto para fazer sentido e subsistir.

Para saber qual era a intenção do cineasta responsável pelo filminho em questão -- que pode ter sido produzido antes dos anos setenta, mas toda a geração que foi criança naquela década assistiu inumeráveis vezes --, precisaria procurar me inteirar de sua história; talvez se trate de alguém que pugnasse por uma visão das mulheres e homens negros como pessoas que podem ser superdotadas, tanto como os germânicos -- o Terceiro Reich e a Grande Guerra eram, ainda, fatos relativamente recentes, de poucas décadas, e feridas históricas em processo de cicatrização.

Porém, na prática, afirmo que o filme, se consegue andar bem entre os liberais e no seio do Império da Mediocridade -- que, na minha poética, amiúde, refere, em concreto, o império estadunidense, ou, melhor: o império irlandês da América do Norte --, se obtém o trânsito facilitado ou salvo-conduto que obtém, isso só se dá porque mostra o negro como portador dessa doença de que se gabavam os germânicos nos anos trinta e quarenta, e que os estadunidenses pretendem ter vencido através da "esperteza" -- ou malícia, a qual Platão opunha radicalmente à inteligência --, e através da ousadia voltada para a aposta e a jogatina: valores muito caros aos liberais e conexos à noção, também repulsiva no grau máximo, de: empreendedorismo.

Os negros, os germânicos padecem da doença chamada superdotação; os ianques, como o "Capitão Kirk", comandante da “USS Enterprise”, nunca, jamais -- aliás, isso é um fato, com raríssimas, raríssimas..., estatisticamente desprezíveis exceções! Os ianques lançam mão do blefe, da malícia, dos atributos do "bom" praticante de jogatina, para, por meio destes, suplantar "formas de vida" de inteligência enormemente superior à sua, de tecnologia igualmente muito mais avançada e mesmo, invariavelmente, -- tal como os germânicos que, todos sabem, foram derrotados, de fato, pelos soviéticos, -- fisicamente mais altos e mais fortes do que eles, ianques. Voltemos ao "Capitão Kirk", oportunamente.

No final dos anos oitenta, marca época a história do "Rain Man": um portador de deficiência cognitiva que é, ao mesmo passo, um superdotado... Assim, novamente, a superdotação e a doença vão sendo associadas, amalgamadas e a teoria da verdade de Gobbels vai solidificando no inconsciente coletivo a absurda e francamente falsificada associação.

Como contraponto, o "Rain Man" tem um irmão tipicamente esperto ("smart") à maneira estadunidense e saltam às vistas as vantagens de ser um Tom Cruise agressivamente empreendedor, egoísta, sem escrúpulos, mas, ao fim, de alguma forma, simpático e remido..., que não se enxerga a si mesmo como "worker", mas como "businessman", ainda que, por assim dizer, não tenha deslanchado, até o momento, nas grandes empreitadas que terá pela frente, -- como noventa e nove vírgula nove, nove, nove... por cento dos liberais.

Mais recente é a biografia, baseada em fatos verídicos, do matemático João Forbes Nash que vem garantir a continuidade de todo esse trabalho de décadas da ideologia burguesa no emprego do cinema como arma de guerra contra a Inteligência: ainda uma vez, a um tempo, superdotado e mentalmente doente, portador de esquizofrenia, Nash encarna o que seria o estereótipo liberal de "uma mente brilhante".

Destarte, a demolição da superdotação, da inteligência superior, dos atributos naturais e independentes do grande esforço burguês, -- a marca de fogo do medíocre esforçado, bem como qualquer valor inerente ao corpo, à natureza essencial dos indivíduos, até mesmo a força física excepcional, são sistematicamente degradados.

O regime burguês não pode suportar o gênio insuplantável de um Anderson Silva, lutador de artes marciais mistas; é de mister que uma série de medianos esforçados -- extremamente esforçados -- sejam convocados e preparados para derrotá-lo. Ao mesmo passo, todo o peso desleal de uma máquina de desmoralização, desestabilização emocional e simultânea supervalorização da mediocridade e do grande esforço burguês é mobilizada, a fim de destruir e fazer cessar esse mal, "esse câncer", nas palavras literais do detrator Chael Sonnen, que, inclusive, emana do Brasil: um País de bases culturais senhoriais, i.e., antiliberais.

O regime senhorial é marcado por uma série de antagonismos frontais à ordem burguesa, que, uma vez repristinados, em qualquer medida, constituem subversões inaceitáveis em relação às quais os janízaros defensores do sistema não podem transigir, em nenhuma hipótese.

O mérito senhorial, não emana, obviamente, do grande esforço burguês, mas, por diversas vias, -- da natureza, da essência dos indivíduos. A valorização da superdotação é um dos aspectos dessa outra forma de meritocracia, diversa, bem diversa, da meritocracia da -- involução, que impele o Homo sapiens, -- já praticamente extinto no Império da Mediocridade --, na direção de formas naturais, digamos, menos elegantes, para não dizer rastejantes e parasitárias, ou, em terminologia inda mais forte: na direção do sub-humano: o aquém-dos-homens.

O direito natural, não só o dos reis e nobres ao poder e à riqueza, mas, concomitantemente, o dos pobres a um simples quinhão do que se produz coletivamente, -- através do eu-coletivo, da nação --, é vigorosamente negado pelos liberais no Império da Mediocridade involutiva.

"There is no free lunch; there is no natural rights". Deus e a natureza não são mais abalizadores do direito e do mérito. Tão-só o grande esforço, que faria do medíocre oportunista um suposto "vencedor", confere lastro-ouro ao mérito -- inclusive mediante trapaça, sórdida desonestidade, agressividade mesquinha, vicissitudes assombrosas, tais como toda a mentalidade extraída, direta e declaradamente, à degeneração humana da jogatina, mediante a qual, mesmo a habilidade de "roubar bem", com discrição excepcional, seria, de forma ainda inacreditável para nós, brasileiros: um bizarra e inquietante sinal de virtuosismo…

Ora, antecipo-o aqui, sem finalizar a discussão, e sem sequer ter discorrido ainda sobre tudo o que empresta fulcro seguro à alegação seguinte -- certamente, estranha para muitos; sobretudo, os mais deformados pela aculturação e as armas psicológicas (v. "PSYWAR" e "psychological warfare weapons") da ideologia liberal:

-- tudo aquilo que se obtenha mediante grande esforço é roubado; é ilegítimo, indigno, sujo, vergonhoso, deplorável: desprovido de qualquer sorte de mérito; tudo o que se obtenha mediante o grande esforço burguês é tendente a perpetrar o regime do roubo, da exploração e da involução humana, inclusive, genética; tudo o que se venha a auferir nesses termos contribui, enfim, para embaraçar o surgimento entre nós do além-dos-homens e fomentar a permanência e o alastramento do aquém-dos-homens, i.e., do: sub-humano.

Igor Buys

27 de janeiro de 2017

Foto feita junto a monitor TV

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