REINO UNIDO PROÍBE ANÚNCIO POR "EXPLORAR" MULHERES NUAS


A Advertising Stardards Authority (ASA), autoridade que regula a propaganda no Reino Unido, aceitou as queixas dos consumidores e pediu o cancelamento de uma campanha da marca de roupas American Apparel (AA) por utilizar imagens de mulheres jovens descobrindo os seios e as nádegas, de acordo com informações da associação. A ASA considerou que as imagens tratavam as mulheres de forma exploratória e a propaganda poderia causar uma "ofensa séria e generalizada". (Terra notícias)

A notícia em epígrafe flagra um intrigante paradoxo.

Na União Soviética, havia uma liberdade muito ampla quanto a sexo entre homens e mulheres, de que os russos se orgulham, ainda hoje. Está, inclusive, no seu cinema de modo algo panfletário.

Os europeus, em geral, são tão espontâneos em relação a sexo e nudez como nós, brasileiros, ou até mais um pouco. Na Alemanha, por exemplo, as pessoas tiram toda a roupa em algumas praias; noutras, homens e mulheres cobrem apenas os órgãos genitais.

Os ingleses e os estadunidenses, entretanto, são extremamente repressores no que tange a sexo entre homens e mulheres e à nudez especificamente feminina. Já, e.g., o jogador de futebol Davi (David) Beckham mostrando as nádegas, em foto, com o perdão do barbarismo crasso, "massivamente" difundida..., não causa qualquer espécie aos anglófonos.

No filme "Braveheart" ("Coração Valente"), tão premiado pela academia de cinema estadunidense, a despeito dos inúmeros e grosseiríssimos erros históricos constantes do roteiro e do figurino, os escoceses levantam as — anacrônicas — kilts e mostram as suas nádegas às linhas inimigas inglesas, num gesto de desafio típico das culturas anglófonas, embora sem qualquer sentido entre nós, a menos que estejamos aculturados. O mesmo gesto, — sempre levado a cabo por homens, é repetido, desde então, num sem-fim de outras produções cinematográficas roliudianas, sem nunca ter ocasionado indignação por parte da opinião pública nos Estados Unidos ou no Reino Unido.

Já a nudez da atriz francesa Eva Green na película "Os Sonhadores", do diretor italiano Bernardo Bertolucci, não passou despercebida pelos resenhistas de cinema norte-americanos, que lhe dirigiram as mais duras críticas, às quais ensejaram a seguinte resposta por parte da atriz: "Não entendo por que os americanos ficaram incomodados com isso. Não entendo por que eles não podem ver uma pessoa nua na tela e nós podemos ver um bebê ser assassinado num filme deles."

"Os Sonhadores" foi censurado em diversos países.

É como se a imagem do corpo masculino fosse essencialmente pura, enquanto que a do corpo feminino representasse toda a culpa de Eva — a figura bíblica —, sendo, ainda hoje, capaz de aliciar Adão para o pecado, a vicissitude, a deterioração e a expulsão do paraíso. As mulheres parecem permanecer para os anglófonos sob a desconfiança invencível de serem as bruxas que, eventualmente, aquiescem aos demônios durante a noite, devendo manter as suas mal disfarçadas burcas bem fechadas, sob pena de terem de arder nas mesmas fogueiras ou agonizar nas donzelas de ferro ainda ensanguentadas dos dias da Santa Inquisição.

Ora, a cultura liberal, no século XX, se definiu por oposição ao mundo socialista, essa é uma das explicações possíveis para tal panorama. Outra linha de avaliação do fenômeno, ao cabo, convergente, nos levaria à mais antiga oposição naturalismo versus artificialismo.

O liberalismo é essencialmente artificialista, negando a natureza humana. João Locke chega a defender que a criança seja uma — tabula rasa, i.e., "um papel em branco, onde tudo pode ser escrito", não conhecendo qualquer dimensão genética, qualquer particularidade fisiológica inata: em suma, qualquer possibilidade de individualidade.

A paideia liberal nega a natureza, os instintos, as tendências, aptidões e vocações, procurando removê-los, pois entende que a verdadeira criança é — feita de Logos, i.e., da palavra liberal: uma apropriação da paideia cristã, segundo a qual o Logos divino, a palavra sagrada, que é o Cristo mesmo, "mata a carne" e vivifica o espírito.

Assim, a criança verdadeira, para os liberais, emerge conforme desaparece a criança natural, tida, inclusive, como — essencialmente má..., num claro paralelo com a noção de que seria portadora, em sua carne, em seu corpo, do pecado original.

Já as pedagogias progressistas, desde Rousseau, primam por estimular a natureza particular de cada criança e pelo cuidado em não reprimir e castrar os instintos, a espontaneidade — vide o livro "Summerhill", ou "Liberdade Sem Medo", referência para uma geração ou mais de pais, na segunda metade do século passado, sem mencionar as diversas linhas de pedagogia libertária.

O embate entre naturalismo e artificialismo explica a não-assimilação de Freud pelo Ocidente no que este contém de instrumental para o estudo da totalidade e mesmo quanto à psicanálise em suas implicações mais profundas. Para esquivar-se às conseqüências bombásticas do freudianismo, os liberais buscam socorro, no XX, no frágil existencialismo de Sartre e outros.

A liberdade como o liberalismo quer pensá-la não pode ter vínculos com — o corpo (ou "a carne", em terminologia bíblica): não pode emanar de um determinismo de fundo, com pulsões do id sendo apenas filtradas pelo Logos cristalizado no superego, esse eu-coletivo freudiano.

Não: isso, no limite, conduziria à — abolição penal! uma quimera anarquista, pois ninguém poderia ser responsabilizado por atos que derivassem de sua natureza fisiológica, determinística e inconsciente. Restaria demolido o mito, em frontal desacordo com a ciência hodierna, da — pessoa, vista como um (absurdo) sujeito individual, o qual se confundiria, ainda, ao indivíduo..., e seria consciente de seus atos e, de alguma forma, realmente responsável por estes.

Atos que a educação pelo Logos liberal não fora suficiente para refrear, quando ilícitos, ou, deveras: sequer pretendeu isso. À imitação do cristianismo, por constituir-se, basicamente, numa teologia leiga e um tanto tosca, o liberalismo prega que se contemple a árvore dos frutos proibidos sem a tocar, mas nada faz para direcionar a criança, que pretende erigida a partir da palavra, no sentido de não incorrer no delito... A liberdade como livre-arbítrio — e não como autodeterminação — deve ser mantida intacta para que os delinqüentes (ou os pecadores...) "optem" pela virtude ou, do contrário: sejam punidos: torturados com o confinamento em jaulas, se não até condenados à pena capital.

O ato, para ser punível perante o Direito, tem de ser inteiramente autônomo, derivar do arbítrio puro, indeterminístico, e, ainda: ser plenamente consciente: não pode haver um subconsciente, ou um elemento inconsciente de qualquer sorte que o vincule. E, hoje, resta bastante bem destrinçado e fundamentado o fato de os impulsos precederem à consciência e de haver toda uma gama muito ampla de atos condicionados, como o ato de obedecer, i.e., de alienar o próprio ato, os mecanismos de autopunição e etc., etc., os quais não representam um agir plenamente consciente, muito menos baseado em opção pessoal: essa sorte de opção que, ainda por cima, seria, obscuramente, — causa de si mesma..., e que só se explicaria pela inexplicável operação de um espírito, no sentido místico do termo, ou seja, — sanctus: separado da natureza, do corpo, da carne. Entanto os Estados liberais se autoproclamam laicos e as sociedades impregnadas pela ideologia burguesa são, em larga parcela e em ampla medida, atéias... Portanto, a pena, nos dias de hoje, se consubstancia num resíduo chocante de pensamento mágico — não religioso nem místico, apenas mágico — a validar a barbárie da tortura do ser humano em jaulas, quando não, nos países socialmente mais atrasados, o assassinato pelo Estado, a prisão perpétua, os trabalhos forçados e etc..

No pólo oposto, o socialismo representa a volta à natureza. A volta à natureza interna, ponha-se reparo, do corpo, que resgata o humano íntegro, de que já falava Rousseau, não contaminado pela sociedade depravada, ou artificializada, reificada. Esse indivíduo humano, por ser naturalmente social — embora não, necessariamente, criatura da pólis, da cidade-Estado, como quer Aristóteles, com seu zoon politikon — tenderia a conviver coletivamente de modo harmônico, se esquivando, sempre que identificável como sadio, do egoísmo, de onde se originam os contrastes graves, estes que, por seu turno, rendem azo aos crimes dos injustiçados e oprimidos contra os beneficiários da exploração e da injustiça.

O humano já era humano e social enquanto habitava os gene da Grécia anteclássica; enquanto cavalgava entre os nômades de Deleuze; enquantro vivia, como a alegoria do bom selvagem de Rousseau: ab origenes.

Assim, esse mesmo humano não é o animal da pólis; é, sim: o animal individual-coletivo: aquele que possui uma dimensão individual e outra coletiva, por excelência.

De certo modo, o humano é o lobo de si mesmo, como pretende Tomás Hobbes, pois sua dimensão individual quer devorar a dimensão coletiva: o Ser: a nação que habita em todos e em cada qual, e que, concomitantemente, é habitat do eu-coletivo, da subjetividade, e da cultura, com seus dever-seres e não-dever-seres, seus freios ao desejo desabalado.

O eu-individual é movido, quiçá, pelo desejo, — a possível origem do ato. Mas é movido, importa mais frisar: em direção ao prazer, à satisfação do desejo, que é o devir da ação. Talvez Deleuze não tenha se dado conta de que o desejo é — arqué, enquanto que o prazer é puro devir... E, isto posto, talvez cumpra atentar até mais para o escopo do ato, para onde este se move e desembocará no futuro, do que para aquilo que possivelmente o impulsione, subjazendo no passado.

Nas sociedades aboriginárias, via de regra, coletivistas, o prazer é propriedade de todos, compartilhada, e os impulsos ferozes da individualidade tendem em muito menor escala a destruir esse tecido, afetivo, familiar, tradicional e sagrado, do que nas sociedades onde parte do prazer passou a pertencer exclusivamente a uns, sendo outros tantos alijados, progressivamente, de qualquer nível de satisfação e deleite. Estes nada têm pela frente como porvir, como futuridade, e sabem disso. Bem assim, seus descendentes já nascem tolhidos de qualquer poder de ação, de criação, de expansão das próprias individualidades, ou autodeterminação.

Destarte, a pólis, artificializando, cimentando, lapidificando e castrando o impulso puramente natural de compartir os prazeres para os ter simplesmente ampliados exacerba no eu-individual a sua propensão para proceder à devora do eu-coletivo. A cidade-Estado põe os excluídos, os explorados, de um lado, e os privilegiados, os exploradores, de outro, numa inelutável rota de colisão, perante a qual os mais fortes, para se precaverem da violência libertária, recrudescem no exercício da violência opressora e da desigualdade.

Hobbes espera que o Estado seja um monstro tenebroso o bastante para apaziguar, através da cogência, da força e do medo mesclados, os impulsos autofágicos de seus lobos humanos, evitando, assim, a destruição sistêmica e a extinção destes. Convenhamos que encarar tal visada das relações sociais como lúgubre é ser-lhe, no mínimo, assaz benevolente. O modelo hobbiano, iconizado através do Leviatã bíblico, figura do terror em si, e com uma certa nota de asco, por vir a se constituir num lagarto desmesurado..., prega, em suma, o domínio da natureza pela artificialidade mais perversa possível: mais perversa até que a própria natureza, tida como cruenta, abominável: nada menos que maldita.

Malditos são, ponha-se reparo, ainda uma vez: a carne, o corpo, ou seja, a natureza, na instância única onde se a pode tanger concretamente: a instância interna; malditos são a mulher, ou o elemento feminino insulado: a intuição, a emoção, o — prazer em si, o id: as imagens, ou fantasmas imediatos do corpo mesmo; e maldito é o elemento dionisíaco: libertário, catártico, extático, animal, corporal: natural.

O embate entre naturalismo e artificialismo, enfim, se reflete sobre a ojeriza dos ingleses e estadunidenses pela nudez da mulher e pelas relações sexuais que podem ser ditas naturais, i.e., verificadas entre homens e mulheres, — embora tal noção seja discutível e, hodiernamente, bastante discutida —, lhes sendo mais fáceis de arrostar, estética e moralmente, a nudez do homem, que não contemporizou com a serpente mítica, figurando como vítima do conluio desta com a mulher, e as relações entre pares homoafetivos, os quais parecem enxergar ainda como fruto de — opção: de livre alvedrio ou liberdade indeterminística, e não de injunções do corpo, da natureza. Realmente, na Grécia do século IV a.C., se pratica uma homossexualidade ideológica, artificial, imposta, que tem por escopo banir a mulher de todas as relações sociais, mesmo as afetivas, e, através disto, calar o elemento feminino na própria linguagem: eis do que se trata a paiderastia grega, já temos destacado. Assim, a compreensão da homofoafetividade como opção e artificialidade está flagrantemente vinculada à tradição socrático-cristã e não à-toa, hoje, é combatida por ativistas em prol dos direitos dos homossexuais.

Uma campanha de características fascistas nítidas que andou caminhando pelas redes sociais disciplinava: ser homossexual, ou gay não significa ser promíscuo! E era explicado após essa assertiva que os gays — como os fascistas e liberais entendem que devam ser — namoram, necessariamente, com a intenção preestabelecida de se casarem, de formalizarem sociedades conjugais, para consumirem produtos dirigidos ao seu nicho comercial e, sobretudo, transmitirem a propriedade privada a herdeiros, inclusive adotivos, o que garantirá a perpetuação do sistema. São, pois, obrigatoriamente fiéis entre si, mantendo o modelo da família patriarcal, célula-mãe da sociedade exploratória; são, de preferência, "sérios", para não dizer sisudos, muito trabalhadores, compenetrados: produtivos, é claro! Na melhor hipótese, serão, fisiculturistas, pró-armamentistas, se engajando no coletivo Gays de Direita, para pleitear o porte de arma amplo, afim de que a burguesia possa matar, em legítima defesa..., os pobres revoltados, os ditos bandidos, e eles próprios possam alvejar os homofóbicos: está posto, pois, em jogo o princípio do — nós contra eles, que dá liga, que confere coesão a toda forma de fascismo.

Tanto o elemento ativo como o passivo da união, quiçá, devem ser homens como Ernesto Hemingway: atiradores, caçadores, capazes de se alistarem voluntariamente em guerras contra o totalitarismo..., e nunca, jamais adeptos do — amor livre dos anarquistas! Não, isso não, em qualquer hipótese! Está proposto de forma bem clara: homossexualidade não significa promiscuidade!

Já testemunhei professor universitário com título de pós-doutorado, — conquanto, sem exagero, semianalfabeto —, ser defensor ferrenho de movimentos anti-homofóbicos e, concomitantemente, designar, amiúde, de "bichas loucas" aos homossexuais mais feminis, mais expansivos, exuberantes e claramente dionisíacos..., a ponto de isso gerar protestos estudantis e ganhar repercussão na mídia.

Ora, não são esses, — os radiantes, os multicoloridos, as bichas loucas —, os homoafetivos que aprovava Platão, "o Espadaúdo", o "Costas-Largas", ou como quer que se traduza esse apelido, em si, tão ultramasculino...

Pares homoafetivos femininos, bem assim, devem ser comportados: o princípio do nada em excesso lhes cai muito bem: que sejam casadas! e que ao menos uma das duas ande armada, com, no mínimo, um aerossol de gengibre, se não uma faca, quiçá, seja lutadora, ou, quando menos, aguerrida, enérgica. E quanto à outra, que seja suave, uma perfeita dama: ambas correspondendo a estereótipos patriarcais perfeitos, os quais nada acrescentam à linguagem e, por isso mesmo, são tão fáceis de entender e incorporar pelo sistema. Melhor ainda se, para coroamento, vierem ao encontro do vetusto ideal masculino, plasmado em materiais pornográficos tão abundantes, das mulheres que mantêm relações entre si com o escopo — principal ou subsidiário — de causar excitação e dar prazer aos homens, devendo, portanto, ser atraentes consoante os padrões destes.

Tais pares homoeróticos, vê-se, são plenamente apolíneos: regrados, planejados, medidos e comedidos; são socialmente úteis, movimentando um mercado próprio e se somando à força de trabalho, ao invés de a desfalcar. Ora, são pederásticos, ainda quando femininos: não há, não pode haver nada ali de dionisíaco, de excessivo, de caudaloso e extático: tudo está arrumado, enquadrado dentro de uma perfeita ordem, que coopera para a manutenção do status quo, já não o põe em cheque, como nos anos sessenta e setenta, nem representa a assimilação da atmosfera psíquica daqueles dias, senão o seu enquadramento, a sua pasteurização e neutralização cabal.

Observe-se que o casamento gay foi uma bandeira paradoxalmente levantada pelos ianques, antes de mais ninguém, em seguida, encampada, no País, pela Rede Globo, e, finalmente por setores conservadores: dos Gays de Direita e MVB à grande maior parte daquela quinta-coluna que foi às ruas em marcha pelo retrocesso democrático no País. O amor livre é, ainda, o mal a ser banido e, para que não grasse entre pares homoafetivos, se institucionalizem as relações entre pessoas do mesmo sexo, com a maior urgência possível! Eis como se resolve essa questão em particular.

Ou seja: ao definir-se por oposição ao Leste europeu democrático no século passado, o Ocidente liberal introjeta ainda mais a fundo a maldição da mulher, que perpassa o catolicismo, tão gritantemente pederástico, no sentido próprio de pederastia (paiderastia), e é perpetuada por este, mas, deveras, consiste numa reverberação da misoginia reinante na Grécia do século IV a.C., quando se fazia o elogio da ultramasculinidade estéril e do amor platônico como — artificializações civilizatórias, a promoverem a fuga da "barbárie" naturalista...

O liberalismo é, como sempre dizemos, — o inconsciente e invertido Cristianismo do Deus Morto (ou o Judaísmo-Cristão do Deus Morto): uma antítese do cristianismo que conserva toda a sua estrutura básica, substituindo, entanto, o Bom, ou o bem, i.e., o amor em si, substancial, pelo capital, invisível, mas real; o altruísmo racional pelo egoísmo ideológico; a compaixão e a inteligência empática pelo pragmatismo alienante, etc..

Destarte, a maldição das mulheres, das bruxas — que mais não são que mulheres malditas —, migra da Grécia até o liberalismo, mediada pelo cristianismo, e dá forma a toda essa repressão desmesurada contra o elemento yin que se observa, produzindo uma sociedade, em alguma medida, irmanada à grega do período dito clássico, o período de sua grande decadência: castrada, assexuada, — pois o princípio masculino sem formar um todo com o feminino é impensável —, anti-erótica e anti-amorosa em essência.

Igor Buys

04 de abril de 2012

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