PÉGASO

O anel de fogo no teu corpo,
queimando
da cor da Aurora,
e os teus lábios, ideográficos,
calando a mesma forma;
os teus olhos: mais dois halos.

 

O malho brusco,
barulho afoito,
de coito,
de besta,
querendo ter Asas.

 

Acicates das dez unhas
na tua anca, -- chicote! da palma,
teus cabelos de ardência seguros
dentro da minha mão, qual rédeas.

 

E um só sentir de carne partida,
compartida, reunida;
um só corpo,
eqüino,
brilhoso,
feito de bronze à meia-luz,
como o potro alvo
que volve a baio
sob o tramar do dia.

 

E do horizonte emergem as trompas,
explodem os Pégasos (outros)
escoiceando, jogando crinas fulvas!

 

Já teus joelhos, cotovelos cravados,
teus quadris de aríete com que me destranco
qual à porta dum castelo,
súbito: se tornam delgados...

O peso nos foge da posse
— e, em meio ao Clarão imponderável, cruel:
somos Um... E voamos.

 

Igor Buys
08-03-2014 / 11/01/2017

 

 

 

Kristiana Pelše; foto roubada

 

 

 

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