MÃE NOSSA

 

                                       Escrito especialmente para leitura

                                       na ocupação do Palácio Capanema

 

 

Mãe nossa, que estás nos céus,

Pronunciado seja, sim, o nome teu,

Que sabemos ser Maria, Dilma, Joana;

Venha a nós a tua República,

Guardada seja a vontade do povo

Que outra não é senão a tua,

A tua mesma,  ó Mãe.

 

Mãe nossa,

Mãe preta, Mãe índia,

Nossa Senhora de Aparecida,

Rogai por nós, filhos teus,

E aos filisteus, aos mercadores,

Aos vendilhões, expulsai-os dos templos

Da cultura e da democracia

Nossas casas de oração.

Ai, Mãe de amor.

 

Mãe nossa, que estás nas matas,

Nos mares, e, sobretudo, entre nós;

Mãe preta, Mãe índia

Linda Mãe,

Mãezinha...,

Bendita seja a tua filha.

Aquela que se cobriu de chagas,

Tragou a dor do cárcere.

Aquela que não é mais que uma

Mulher, e portanto é Tu mesma

Entre nós: Companheira Presidenta;

Aquela que é nada menos

Que uma mulher, e portanto,

Não pode ser menos que santa:

 

Toda mulher traz consigo

O órgão em formato de pira

De onde eclode a chama

Da vida: limiar entre o carnal

E o ideal, — a luz no seio da luz.

 

Sim, Mãe, bendita seja a tua filha,

A nossa santa, mulher e mãe,

Mãe e avó,

Guerrilheira menina,

Zeladora dos pobres, dos pequeninos,

Mandatária do povo.

 

Seja ela por nós, e nós todos por ela,

Num só corpo, num só canto

Que exploda, como clava forte,

Contra a tirania e seus soldados romanos,

De escudos quadrados, capacetes em linha:

Sinal dos tempos, Mãe,

Das curvas dialéticas do tempo.

 

Mãe,

Mãe nossa que estás nas ruas,

Acampa ao derredor de nós

Os teus anjos, que não são homens,

Nem são mulheres; que são pretos velhos

E moços; que são índios, animálias singelas,

São arcanjos, serafins, sanhaços azuis.

 

Mãe,

Mãe preta, Mãe índia,

Desentronizada e descalça

A pisar os cacos de vidro,

As bombas de gás; Deus-Mãe

Que tudo vê:

Em nome do homem que foi um

Sem-teto, um sem-terra,

Que não tinha onde reclinar a cabeça

E se doou por todos,

Fere de morte, Mãe, os entreguistas,

Os falsos profetas, os usurpadores

E suas esposas compradas, mulheres

Sem Mulher: objetificadas, prostituídas;

 

Protege o pré-sal que é o sal da terra,

O futuro dos nossos filhos.

E vela pelo Brasil, ai, Mãe,

Que o inimigo de barbicha

E cartola colorida

Nos mostra, ainda uma vez,

Sua língua de cobra, seu dedo

Em riste, — o Acusador.

 

Em teu próprio nome,

Que sabemos ser Joana,

Dilma, Maria, Olga, Soledad,

Simone, Rosa; nesse santo, sagrado

E poderoso nome, plural e uno,

É que te clamamos aqui.

Amém e amém.

 

Igor Buys

23 de maio de 2016

 

 

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