AOS TEUS PÉS

Aos teus pés, minha língua e coração têm o ritmo mesmo da maré incandescente, indo e vindo sobre a areia platinada, noiva; meus dentes são como a ostra de louça que morde, louca, o calcanhar da Lua. No chão da tua sala, tão sultão como lacaio, sorvo o leite puro da tua pele; e aos teus tornozelos escalo, roçando as pálpebras a contrapelo pelas tuas pernas. Ai, pisa! com teu salto vermelho, o meu peito aberto e com as pé- talas de teus dedos a minha boca sedenta. Abraça as tuas coxas. Deixa o meu sangue ruborizar as tuas faces, as minhas veias latejarem no teu âmago; deixa eu te revirar ao avesso, joelhos ao lado das faces, minha saliva calando em tua boca. Tuas pan- turrilhas nas minhas mãos; lábios tenros entre meus dentes cruéis. E, quando a minha chama se misturar aos teus órgãos, marca sobre minha coxa uma palavra felina, indelével. Igor Buys 23-01-2013 / 03-12-2016

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