CANTIGA À GUILHADE

 

      Ai dona fea, fostes-vos queixar,

J. G. de Guilhade.


 

Ai dona fea! imensa e gorda

que vigiais os meus amores!

Quereis saber se ela me nota,

quereis saber se ela me quer.

Se o meu abraço a guardará,

quereis saber, ai bruxa má...

 

E por prazer me apunhalais

e maldizeis o meu carinho

pela qu’é luz do meu loar!

Ai dona fea! obesa e rubra,

assim vestid’en carmesim!

Jamais vos loarei toda via!

Jamais per si vós sabereis

o qu’é o calor do meu loar,

toda ternura do meu verso,

o mal e o mel do meu loar.

 

 

Igor Buys

In Versos Íncubos; 2014

 

✔Entenda

 

 

Ai, dona fea! Foste-vos queixar
que vos nunca louv'en meu trobar;
mas ora quero fazer um cantar
en que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!

Ai, dona fea! Se Deus me pardon!
pois avedes [a] tan gran coraçon
que vos eu loe, en esta razon
vos quero já loar toda via;
e vedes qual será a loaçon:
dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei
en meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já un bon cantar farei,
en que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!

 

João Garcia de Guilhade

 

 

 

Arte nossa.

 

Please reload

Postais em destaque

MÃE NOSSA

01.06.2020

1/16
Please reload

Postais recentes

02/06/2020

02/06/2020

01/06/2020

01/06/2020

Please reload