Entrevista ao Portal do Escritor - Scortecci, 25 de novembro de 2014

Dei a entrevista seguinte ao Portal do Escritor - Scortecci, que a publicou em 25 de novembro de 2014. Gostei muito da entrevista, a que respondi, como sempre, de um só fôlego, sem revisão, nem previsão, e apenas gostaria de ter dito, ao invés de "[sou um homem] de muitos recursos" -- o que pode fazer pensar que eu tenha muito dinheiro -- que disponho, sim: de muitos tipos de recursos... Mas, enfim, vale conferir:

Olá Igor. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?

“Versos Íncubos” é uma obra peculiar na minha trajetória como escritor. Nela predomina o processo que fui me acostumando a chamar de Processo das Musas. É, então, um livro que contém muitas poesias de temática amorosa, as quais falam de amor carnal, e não sublimado, e contém, ainda, alguma poesia gótica erótica a que chamei -- poesia fantástica, em referência a William Blake, inclusive. Entanto o livro não se resume ao Processo das Musas, com essas nuanças, e contém, sem falsa modéstia, algumas obras primas. Acho que, no conjunto da minha obra, “Versos Íncubos” terá o seu lugar especial e ainda há de repercutir bastante.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?

“Versos Íncubos” é o meu segundo livro de poesias. No primeiro, “Manelo de Áscuas”, — Sete Letras, 1999 — predomina uma poesia visual marcada por uma forma que criei na juventude: o acróstico ideográfico. O próximo livro já está em urdidura e parte de processos bem distintos dos empregados em “Versos Íncubos”. Tenho trabalhado com três heterônimos; o que está mais adiantado escreve poesias dramáticas — para serem encenadas ou lidas em voz alta — de caráter reflexivo, que deixam esboçada toda uma via sistêmica de compreensão da totalidade e da vida. A linguagem é adulta, marcada pelo eruditismo, pela irreverência e impactante.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?

Eu acho que o Brasil, com as políticas de progresso com inclusão social que vem adotando, nos últimos anos, caminha a passos largos para se tornar uma — Suécia de dimensões continentais: algo nunca antes vislumbrado, quiçá, sequer sonhado. Digo isso e repito, há vários anos. E, dentro desse contexto, não pode haver melhor parceria para o autor brasileiro que o poder público. Acredito muito num regime de parcerias entre iniciativa privada e poder público, em que alguém, para abrir uma padaria ou publicar um livro poderá contar com o Estado como parceiro, — se desejar. Senão, poderá também concorrer com quem seja parceiro do Brasil nos moldes da livre concorrência. O espaço é curto para aprofundar a discussão, mas vejo sinais do assomar de uma espécie de — neomutualismo a conviver com o capitalismo. E esse é o caminho.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?

Cheguei até a Scortecci através de uma agente literária. E, a despeito de algumas dificuldades, digamos, logísticas envolvidas no fato de publicar em São Paulo, morando no Rio de Janeiro, estou bastante satisfeito com a parceria e com a possibilidade de ter participado da Bienal de São Paulo e manter essa ponte com os leitores paulistas.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?

O meu livro merece sobreviver a mim. I.e., ser lido muito depois do meu desaparecimento. As pessoas têm um fetiche por poetas mortos. Bem assim, por pensadores mortos. É fácil, hoje, amar um Augusto dos Anjos; um homem que escrevia: “escarra [primeiro] nessa boca que te beija”. Morto ele está... Apaziguado. Mas tê-lo ao seu lado, num sarau de poesias, por exemplo, dizendo coisas tais..., ora, envolveria outro tipo de experiência e relação com a arte. Eu não pretendo cortar a minha orelha, como Van Gogh, nem precisarei ser enterrado numa vala comum, como Mozart: tenho a vida ganha, sou um homem desmesuradamente forte, ao contrário destes, e de muitos recursos. Entanto escrevo para o futuro. E aceito, sem problemas, que a cultura precisará de tempo para assimilar o que faço e farei, nos próximos anos.

Obrigado pela sua participação.

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- A entrevista e respectiva apresentação no Portal do Escritor.

- Outras entrevistas do autor:

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