• poesia

CORPO


E nos teus Olhos essa cor que nada simplesmente mortal ou fisiologicamente descritível teria permissão para refratar, reverberando do céu o Ocaso lento: os seus mais íntimos e misteriosos momentos de paixão, introspecção e silêncio. Teus Olhos...

E nas tuas Mãos a redenção final, a calma, a magia: a Cura. A carícia filial, maternal; a compensação pelo dia; o retorno à infância, à respiração suavizada sobre coxas infinitas, infinitas como templos: nas tuas Mãos a venda dos olhos. O sono.

E nas Solinhas dos teus Pés essa polpa, esse favo; essa coisa alva, pura, tenra como nada mais na Terra, que se franze para mim e é ternura em estado quase sólido, quase diáfano; carne quase sem carne, quase névoa... (quase alma): uma gula viva de ser beijada e engolida.

E na tua Boca a flor, o amor; a palavra de rua, de vinho, de lua, de poesia; na tua boca o beijo maior que a boca; maior que o corpo, maior que o mundo e o vento viajante, livre. Na tua Boca o útero cálido de alguns momentos de plena carnalidade.

Nos teus Seios, a mãe novamente, a santa, a deusa: a Mulher: o alimento, o complemento, a parceira; a foz das constelações; o botão da primavera de chama multicor; nos teus Seios, o fruto, o filho, continuação na matéria: imortalidade.

Igor Buys 23-03-2009 / 14-12-2016