• poesia; in "Versos Íncubos, 2014

ESCULTORA E ESCULTURA


O teu corpo será a minha religião. Pretendo religar-me ao planeta primordial e caótico.

Ai, a minha chama te afogando, transbordando pelo canto dessa tua boca e pupilas; ai, a minha seiva te inundando, intumescendo a veia esverdeada que salta no teu pescoço.

E depois de tudo, inda lavar-me por inteiro nos teus cabelos infinitos, infinitos como as ondas da cachoeira de sombra e luar.

Passearemos pela cidade à noite. O Cristo, o Bonde, a Lagoa de fios de cobre e chama negra quero que te vejam e reverberem teu sorriso.

Dividiremos alguns sonhos rotos, remendados e olvidaremos juntos os pesadelos do mundo.

Modelos são como escultoras, são como esculturas. São atrizes por um instante de intensa captação da luz: um clique, uma eternidade pulsando imota.

Assim seja também o nosso tempo: fiquemos apenas, fiquemos absorvendo o fluxo sem resistir a ele, apenas Asas unas, apenas Vôo, Amor, Vitral e Alvorada...

Igor Buys In Versos Íncubos

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