• texto de terceiros - ciência

A NEUROBIÓTICA E O VING TSUN


Lendo o livro “Mantenha seu cérebro vivo” de Laurence C. Katz, PhD., ele, professor de Neurobiologia no Centro Médico da Universidade Duke e pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes, teve sua pesquisa recente sobre as neurotrofinas e seu efeito sobre o crescimento das células nervosas, um amplo reconhecimento da comunidade científica.

Segundo o autor, quando começamos a esquecer pequenos pedaços de informações como nome de filmes, atores, números telefônicos, onde estacionamos o carro no shopping (esta então é muito comum aqui em Montes Claros), “estes lapsos podem não interferir muito em seu cotidiano, mas a ansiedade que provocam talvez atrapalhe.” Ele continua, “não é de admirar que você conclua precipitadamente que envelhecer é um declínio inevitável que leva ao esquecimento e confusão, ou até mesmo aos primeiros estágios da Doença de Alzheimer.”

“A boa notícia, no entanto, é que, além de os pequenos esquecimentos não indicarem qualquer doença grave, é possível tomar providências para combatê-los.” Aí entra a Neuróbica, uma alusão às atividades físicas para o corpo, agora com exercícios específicos para o cérebro.

No decorrer do livro o autor relata de maneira científica como funcionam em nosso cérebro estes apagões de informações e depois nos apresenta vários exercícios de Neuróbica. O mais interessante é que são exercícios que usam todos os sentidos e o corpo todo. Um em particular me chamou a atenção pois é relacionado com a forma que praticamos o Ving Tsun.

Neste exercício o autor afirma que ao usarmos somente nosso lado dominante para fazer as coisas , como abrir uma garrafa, comer alguma coisa, segurar algo, abotoar uma camisa, deixamos o outro lado em estado de relaxamento e futuramente desativado, o autor sugere que façamos estas atividades com o nosso outro lado, assim “todos os circuitos, conexões e áreas do cérebro envolvidos no uso da mão dominante ficam inativos, enquanto seus equivalentes do outro lado do cérebro passam a orientar de repente um conjunto de comportamentos dos quais não costumam participar.

As pesquisas tem demonstrado que esse tipo de exercício pode resultar numa rápida e substancial expansão dos circuitos nas partes do córtex que controlam e processam as informações táteis da mão.

O Ving Tsun vai mais além: coloca os 2 lados para trabalharem simultaneamente. Quando fazemos, por exemplo, a forma Siu Nim Tao e temos de manter a outra mão relaxada e perto do tórax, enquanto atuamos com a outra, nos faz usar a Neuróbica, pois forçamos o cérebro a se concentrar em ambos os lados, caso contrário a forma não se aperfeiçoa.

Como transportamos a Neuróbica do Ving Tsun para a vida real? Eu já me peguei penteando o cabelo com uma mão e colocando pasta de dentes em minha escova com a outra ao mesmo tempo, já coloquei leite em um copo com uma mão e abri a lata de Nescau com a outra ao mesmo tempo, antes de ler o livro eu já havia percebido o que o Ving Tsun pode nos proporcionar em relação a esta equiparidade corporal, mas com esta base científica, me leva a pensar como realmente a criadora de nosso Sistema a Patriarca Yim Ving Tsun estava tão a frente de seu tempo, ou talvez esta seja uma das explicações de que as pessoas mais longevas do planeta são chineses e japoneses e que o índice de doenças cerebrais neste países é quase nulo, pois 90% das pessoas são praticantes de artes marciais.

Autor: Renan Avelino

Iniciei nova fase de aprendizado da arte marcial. Detalhe da sala de treinamento (Mokoon). Foto minha.