DIGRESSÕES

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Reflexões ultra-sintéticas formuladas para veiculação através do tuíter @IgorBuys

O MITO DO HOMO FERUS E A INTELIGÊNCIA EMPÁTICA

1 / 36 - Sem alcançarmos tal dualidade, não chegaríamos a ser propriamente humanos. Talvez, como os míticos meninos-lobo, nos parecêssemos com lobos.

2 - Ou macacos, ovelhas, ursos: animais associados à lenda do Homo Ferus, que, criado desde recém-nado entre animálias, se assemelharia a estas.

3 -O mito traz uma ilustração poderosa de como, e até que ponto, — a inteligência empática nos distingue e define em nós: a nota da humanidade.

4 - Ampliando-o, podemos considerar um grupo de recém-nascidos, que tivesse sido abduzido por alienígenas para uso num experimento laboratorial.

5 - Numa câmara, os alienígenas poriam uma criança entre serpentes e a alimentariam, nos primeiros anos, por meio de tubos fixados ao seu corpo.

6 – Noutra câmara, poriam outra criança entre vegetais e também a manteriam viva à distância sem permitirem que esta jamais os visse ou ouvisse.

7 - Outras tantas cobaias seriam levadas a crescer em viveiros entre lobos, carneiros, ursos, cães, macacos: animais já incorporados a tal mito.

8 - Algumas das crianças, é razoável supormos, não sobreviveriam; outras tantas, porém, comprovariam o mito, a que Jean-Jacques Rousseau deu fé.

9 - Das sobreviventes, aquelas levadas a crescerem entre os ofídios findariam por se moverem como serpentes, rastejando até o alimento e a água.

10 - E as mantidas entre vegetais reduziriam os seus movimentos, progressivamente, nunca prescindindo dos tubos, até se tornarem de todo: imotas.

 

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Julho 2016